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10 de novembro de 2014, 17h13

Gilberto Carvalho: “Sei do absurdo que é prender um moleque carregando um pouco de erva e jogá-lo na Papuda”

Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência analisa acertos e erros da gestão Dilma Rousseff abordando questões como reforma agrária e política indigenista

Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência analisa acertos e erros da gestão Dilma Rousseff abordando questões como reforma agrária e política indigenista

Por Redação

Em entrevista ao site da BBC Brasil, Gilberto Carvalho,  ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e um dos principais responsáveis pelo diálogo entre o Palácio do Planalto e os movimentos sociais, fez uma autocrítica e afirmou que a primeira gestão de Dilma Rousseff poderia ter se relacionado mais com os variados grupos organizados da sociedade brasileira. “(…) houve deficiências, é verdade. O governo praticou o diálogo nesses anos, mas, para o padrão da sociedade brasileira hoje, há muito que fazer”, avaliou Carvalho.

Segundo Carvalho, ao contrário do governo Lula (2002-2010), onde havia intenso diálogo com setores dos movimentos sociais, “o governo Dilma deixou de fazer da maneira tão intensa (…) esse diálogo de chamar os atores antes de tomar decisão – de ouvir com cuidado, e ouvir muitos diferentes, para produzir sínteses que contemplassem os interesses diversos. Há uma disposição da presidenta em alterar essa prática”, disse.

O titular da Secretaria-Geral também falou a respeito das políticas de reforma agrária e demarcação de terras indígenas. “Para o atendimento das demandas, tem de fortalecer alguns órgãos de governo. No caso da reforma agrária, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). No caso da política indigenista, a Funai (Fundação Nacional do Índio). Isso implica aumentar o orçamento, fazer concurso, comprar terrenos, indenizar quem está em terra indígena”, analisou Carvalho.

Sobre a construção de Belo Monte, Gilberto Carvalho justificou a intervenção da Força Nacional de Segurança. “Acho que houve erros em Belo Monte no processo de implantação da obra, no ritmo das compensações e tal. Agora, quando você mantém um diálogo permanente – e instalamos lá uma casa de governo para dialogar – e se apela para ocupação de uma obra que tem interesse nacional, é dever do Estado enviar todos os esforços para que a obra retome o ritmo. Estamos com uma crise energética no país que não é pequena e temos de realizar Belo Monte”, argumentou.

Quando questionado a respeito da questão de drogas e cárcere, Carvalho diz que o governo brasileiro está acompanhando as políticas adotadas pelo Uruguai como a legalização e descriminalização da maconha. “O tema das drogas é de muito difícil abordagem. Estamos acompanhando a experiência do Uruguai. Ninguém ainda tem muita segurança. Enquanto a população não amadurece uma posição, o governo não tem condição de tomar essa ou aquela decisão de cima para baixo. Sei do absurdo que é prender um moleque carregando um pouco de erva e jogá-lo na Papuda (presídio no Distrito Federal), mas não sinto no governo nenhuma iniciativa de enfrentar isso nos próximos quatro anos”, avalia.

Foto: Circuito MT


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