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26 de novembro de 2019, 07h11

GLO de Bolsonaro é o novo AI-5. E Lula é o álibi

Na noite desta segunda-feira (25), enquanto no Brasil Bolsonaro admitia que o GLO tem o objetivo de reprimir protestos como os que acontecem no Chile, nos EUA, Paulo Guedes revelava o álibi citando Lula e chamando o projeto de lei pelo verdadeiro nome: AI-5

Paulo Guedes, Bolsonaro e Eduardo (Montagem)

Jair Bolsonaro nunca escondeu sua intimidade com os violentos mecanismos de repressão da ditadura. Deixou ainda mais explícito quando bradou pelo torturador confesso Carlos Alberto Brilhante Ustra em seu voto na sessão de impeachment para dar ares de legalidade ao golpe que estava em curso no Brasil. Agora, sob a alcunha de GLO, Bolsonaro dá uma nova roupagem, de terno e gravata, ao verde oliva do Ato Institucional número 5, instaurado em 1968 para legalizar a matança da ditadura militar.

Blog do Rovai: 2020 vai ser pior: Guedes, o AI-5 e o projeto neoliberal como sócio do fascismo

Na noite desta segunda-feira (25), Bolsonaro admitiu que quer usar o Projeto de Lei (PL) apresentado por ele na semana passada, que abranda e até retira punições de militares e outros policiais durante operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), para reprimir com violência protestos que venham ocorrer no Brasil semelhantes aos que tomam as ruas chilenas.

Em sua justificativa, o capitão quer taxar qualquer ação que ele não concorde – como as manifestações contra a política neoliberal de Sebastián Piñera no Chile – como atos de “vandalismo” e “terrorismo”. E assim fazer o uso da força, legalizar a matança de qualquer movimento que se oponha a implantação de sua própria ditadura.

Ao mesmo tempo, em Washington, onde alinha as tratativas diretamente com o sistema financeiro ao qual segue ordens, o ministro da Economia, Paulo Guedes, revelava o álibi de Bolsonaro: impedir que livre, Lula leve o povo às ruas.

“É irresponsável chamar alguém pra rua agora pra fazer quebradeira. Pra dizer que tem que tomar o poder. Se você acredita numa democracia, quem acredita numa democracia espera vencer e ser eleito. Não chama ninguém pra quebrar nada na rua. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo pra quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?”, disse Guedes, chamando o GLO pelo verdadeiro nome: AI-5.

Íntimo dos Piñera, Guedes está desconfortável com o freio imposto por Bolsonaro no seu levante neoliberal no Brasil, que repete as mesmas medidas desastrosas na economia impostas pela ditadura do general Augusto Pinochet nos anos 70 no Chile – e que causaram a convulsão social vivida nos dias atuais no país andino.

Em entrevista no final de outubro, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) já havia externalizado o desejo do governo. “Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta e uma resposta ela pode ser via um novo AI-5”, afirmou o 03, que reverberava ordens do guru Olavo de Carvalho.

As declarações de Eduardo Bolsonaro aconteceram dois dias após o deputado ameaçar em discurso no plenário da Câmara uma volta da ditadura, caso haja protestos no Brasil semelhantes aos que ocorrem contra as políticas neoliberais no Chile.

A estratégia de propagação da ideia de um novo AI-5 segue o roteiro das fake news pela milícia virtual bolsonarista antes de chegar ao governo. O guru Olavo de Carvalho conclamou dia 16 de outubro uma nova ditadura e foi prontamente atendido pelo blogueiro bolsonarista, Allan dos Santos, que mobilizou a milícia virtual nas redes pedindo a implantação de um novo AI-5.

O desejo de um novo AI-5 para implantação de uma ditadura com ares de legalidade sob o comando de Bolsonaro sempre existiu. Livre, Lula virou o álibi.

Afinal: O que foi o AI-5?

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