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02 de fevereiro de 2012, 09h48

Governadora do Pará promove soldados que participaram de massacre

Foi com "perplexidade" e "surpresa" que o Movimento dos Sem-Terra (MST) recebeu a notícia da decisão da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), de promover a cabo mais de 80 soldados que participaram do massacre de trabalhadores rurais em Eldorado do Carajás, no sudeste paraense, ocorrido em abril de 1996. Os líderes do movimento avaliam que a promoção incentiva atos de violência no campo.

"É uma manifestação extremamente perigosa", disse Ulisses Manaças, da coordenação nacional do MST. "A decisão irresponsável do governo premia a impunidade". Ele observou que a Justiça do Pará aceitou pedidos de prisão preventiva contra líderes de sem-terra e mandou o movimento pagar indenização por danos que teriam sido causados à Vale, segunda maior mineradora do mundo. "O problema é que a decisão da governadora ocorre num momento em que o MST sofre um processo de criminalização", disse Manacás.

Manaças relata que, na semana passada, líderes do movimento se reuniram com representantes do governo do Estado, mas não foram informados de que Ana Júlia iria promover os soldados – os militares ainda respondem na Justiça pelos assassinatos. A governadora alterou uma lei que só permitia a promoção de oficiais que respondem processos judiciais.
"Ela promoveu agentes do Estado que promoveram crime", disse o líder sem-terra. "Não é o MST quem condenou os assassinos, mas a sociedade brasileira". O massacre de Carajás ocorreu Foi na curva do "S", num trecho da rodovia que liga Marabá a Eldorado, quando 155 policiais do Pará atiraram num grupo de sem-terra que obstruía a estrada. A ação resultou na morte de 19 pessoas e dezenas de feridos. O episódio tornou-se um dos principais símbolos da nova rede de movimentos sociais e dos agentes que subiram ao poder com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003.

Todos os oficiais e militares de baixa patente que participaram da ação liderada pelo coronel Mário Pantoja e pelo major José Maria Pereira de Oliveira estão em liberdade. Para Ulisses Manaças, a situação é contraditória. Em abril Ana Júlia assinou lei concedendo pensões especiais para 22 dos 69 mutilados no massacre. "Essa promoção de soldados é a cara do governo do Estado, formado inclusive pelo grupo do deputado do PMDB Jáder Barbalho", disse. "Os soldados e oficiais deveriam estar na cadeia."

Em nota, o governo paraense argumentou que os soldados não foram condenados pela Justiça. A promoção deles pode dar fôlego a outro grupo de militares de baixa patente, no caso do Exército, que reivindica reparação do governo federal.

(Com informações de agências)

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