Governo Bolsonaro exibe homem com arma para homenagear agricultor

Em arte divulgada pelo canal oficial da Secom, um homem segurando uma espingarda ilustra a arte em referência ao Dia do Agricultor

O perfil oficial da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) prestou homenagem nesta quarta-feira (28) aos agricultores, até tudo bem, mas a homenagem é o problema.

Para ilustrar a arte em referência ao Dia do Agricultor, o governo federal não colocou os tais trabalhadores aos quais a homenagem se refere, mas sim um jagunço segurando uma pistola.

https://twitter.com/secomvc/status/1420353396956086272

Ou seja, o governo oficializa a utilização de milícias campesinas por agricultores para “proteger” as suas terras.

Não à toa, a violência no campo aumentou com a chegada de Jair Bolsonaro (sem partido) ao Palácio no Planalto.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) criticou a arte e afirmou que se trata de “um retrato de um governo miliciano”.

O lider do Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues também se mostrou indignado e afirmou que o trabalhador do campo “produz alimento e não violência”.

Crimes no campo

De acordo com levantamento do Repórter Brasil, durante o primeiro ano do governo Bolsonaro foram registradas 31 vítimas da violência do campo.

Depois de um ano dessas mortes, ninguém foi julgado e apenas um crime foi considerado encerrado, o de um indígena no Amapá.

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Além disso, outras 19 investigações (61%) não foram concluídas.

O levantamento também revela que a maioria dos casos envolve dispta por terra (39%) ou defesa de territórios indígenas (29%).

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Por fim, a “homenagem” ao agricultor feita pelo governo Bolsonaro, na verdade é uma oficialização das milícias do campo que promovem terror e assassinatos.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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