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16 de maio de 2014, 14h23

Revista indiana ensina homens a assediarem brasileiras

“Seja rápido e continue tentando até que você faça um gol”, explica a publicação que acha que mulheres paqueram como jogam futebol

“Seja rápido e continue tentando até que você faça um gol”, explica a publicação que acha que mulheres paqueram como jogam futebol

Por Isadora Otoni

A revista GQ indiana deste mês trouxe um especial sobre a Copa no Brasil. Dicas de como se vestir, quais os melhores lugares para ir à noite e as bebidas típicas são apresentadas para os leitores. O que não deveria estar na publicação, no entanto, é uma instrução de assédio no lugar de como abordar mulheres brasileiras em baladas.

“Brasileiras paqueram como jogam futebol: agressivamente. Seja rápido e continue tentando até que você faça um gol”, explicam. A dica da revista está no quadro “Você precisa saber”, em uma matéria que insiste que a fixação do brasileiro são “bumbuns”.

O texto sobre a vida noturna no país começa com a afirmação: “Uma coisa sobre o Brasil é que a maioria dos estereótipos são verdadeiros. Existe futebol e bumbuns, e todo o frenesi de carnaval”. No mesmo parágrafo, a palavra “bumbum” é repetida cinco vezes.

Ana Júlia Gennari, de 22 anos, integrante da Frente Feminista Casperiana Lisandra, frequenta baladas em São Paulo e se sentiria incomodada com a insistência masculina. “Se tentasse qualquer contato físico ou persistisse me encarando e me rodeando na balada, eu avisaria os seguranças do local que estava sendo assediada”, disse a jovem. “As pessoas têm que aprender a desconstruir tal ideia. ‘Não’ significa ‘não’, e a insistência é um desrespeito à mulher”.

Todo o especial da revista é recheado de fotos de mulheres semi-nuas, e ainda traz uma imagem de Gisele Bündchen fazendo um “OK” com a mão. Outras dicas da GQ é pagar pela área VIP do carnaval de Salvador, porque ele é conhecido por “ter as mulheres mais bonitas”.  Já sobre o Rio de Janeiro, a matéria diz que as calçadas têm tantas brasileiras bonitas que o leitor “não vai conseguir parar para ficar olhando”.


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