Guedes ameaça volta da ditadura: “Não se assustem se alguém pedir o AI-5”

Ministro faz referência à afirmação de Eduardo Bolsonaro, que também alegou a necessidade de um "novo AI-5" caso a esquerda radicalizasse

Durante entrevista coletiva em Washington D.C., nesta terça-feira (26), o ministro da Economia, Paulo Guedes, irritou-se ao comentar a saída de Lula da prisão e afirmou que os discursos do ex-presidente justificam um acirramento das ações no governo de Jair Bolsonaro. Inclusive, Guedes sugeriu a implementação do AI-5, instrumento da ditadura militar, para reprimir possíveis manifestações de rua.

“É irresponsável chamar alguém pra rua agora pra fazer quebradeira. Pra dizer que tem que tomar o poder. Se você acredita numa democracia, quem acredita numa democracia espera vencer e ser eleito. Não chama ninguém pra quebrar nada na rua. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo pra quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?”, disse Guedes, em referência ao período da ditadura militar brasileira.

O Ato Institucional Nº5, originalmente editado em 1968, fechou o Congresso e cassou as liberdades individuais durante os anos de chumbo. Ao mencioná-lo, Guedes faz referência à afirmação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que alegou, no fim do mês passado, a necessidade de reeditar o AI-5 caso a esquerda radicalizasse.

O ministro ainda culpou a polarização “entre PT e Lula” como responsável pelo projeto de lei enviado pelo Planalto ao Congresso essa semana para instituir o excludente de ilicitude para policiais e agentes do Exército que estejam nas ruas em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Pelo texto do projeto, aqueles que usem de força excessiva no exercício da função não sofrerão punições criminais: “Não sei quem está pedindo pra o povo ir pra rua pra quebrar tudo. Tudo bem? Não sei quem está pedindo pra botar a excludente de ilicitude: ‘Você vem pra rua’, a gente amansa essa bagunça aí na rua. Vamos embora, vamos escalar isso aí.”

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