sábado, 24 out 2020
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Guedes diz que precatório não vai financiar Renda Cidadã de Bolsonaro

Ministro participou do anúncio e não negou que recurso seria usado pagar programa social, mas, depois, mercado financeiro reagiu mal à proposta

Depois de uma reação negativa do mercado financeiro diante da notícia que o governo usará recursos de precatórios para financiar seu programa social, o Renda Cidadã, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quarta-feira (30) que essa fonte não será usada para bancar a iniciativa. A declaração foi dada em entrevista em que comentava dados do mercado de trabalho, em seu ministério.

Na segunda-feira (28), quando o programa foi anunciado, o senador Márcio Bittar (MDB-AC) divulgou, ao lado de Guedes, que parte do dinheiro reservado para os precatórios seria destinada para o programa de transferência de renda que visa substituir o Bolsa Família. Além disso, elencou uma parte dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) como outra fonte de renda da iniciativa.

Na ocasião, o ministro também falou e não fez nenhuma objeção ao que estava sendo anunciado.

Mas o mercado financeiro não gostou do anúncio de que verbas para pagar dívidas judiciais do governo seriam usadas para outro fim. Naquele dia, a cotação do dólar subiu para R$ 5,6358, no maior nível desde 20 de maio, e o Ibovespa caiu 2,4%, para 94.666 pontos, menor patamar desde 10 de junho.

Recado para o mercado

Guedes apareceu de surpresa na entrevista coletiva de anúncio dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Ali, sem a presença do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ou outros parlamentares, aproveitou para passar o recado ao mercado financeiro.

Ele disse que o senador Bittar, relator do Orçamento 2021 no Congresso, está fazendo os próprios estudos, enquanto a equipe econômica também faz avaliações sobre o programa

“Se queremos respeitar teto, temos que passar lupa em todos os gastos, para evitar propostas de romper o teto, de financiar o programa de forma equivocada, que nunca foi nossa ideia”, disse Guedes. Para ele, a fonte de recursos dos precatórios “não é saudável, limpa, permanente ou previsível”.

“O programa Renda Brasil é uma consolidação de 27 programas, possivelmente com fontes adicionais. Não se trata de buscar recursos para financiar isso, muito menos recursos de uma dívida que transitou em julgado e que é líquida e certa, nós não faremos isso. Nós estamos aqui para honrar compromissos”, disse. E aqui estava o recado que ele queria mandar ao mercado financeiro.

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.