sexta-feira, 23 out 2020
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Guerra das vacinas: ministério nega que vá deixar dose do Butantan fora de programa nacional

Secretários de saúde estaduais pediram que produto esteja no planejamento do governo federal; tema pode ser politizado, em meio a antagonismo entre Bolsonaro e Doria

Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (15), o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, negou que a CoronaVac, dose contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, será deixada fora do Programa Nacional de Imunização (PNI).

A declaração foi dada no mesmo dia em que o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) encaminhou carta ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pedindo exatamente que ele incorpore ao PNI a vacina produzida pelo Butantan.

O receio dos secretários é que o tema seja politizado, em meio ao antagonismo que existe atualmente entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Em reunião com o conselho, o ministério apresentou cronograma para a adoção da vacina desenvolvida pela Universidade Oxford com o laboratório AstraZeneca e em parceria com a Fiocruz, que vai fabricá-la no país. O mesmo cronograma foi apresentado na entrevista coletiva desta quinta-feira. No entanto, não houve o mesmo detalhamento em relação à CoronaVac, promovida por Doria.

Franco disse que nenhuma vacina será descartada. E elencou os fatores para que as doses sejam incluídas no programa: segurança, eficácia, prazo mais curto de entrega, produção em escala e preço acessível. “Não descartamos nenhuma possibilidade, principalmente aquelas que estão na 3ª fase”, disse, referindo-se à etapa de testes em voluntários. Tanto a de Oxford quanto a CoronaVac estão nessa fase no Brasil.

O secretário-executivo foi questionado mais de uma vez sobre a inclusão ou não da dose do Butantan no PNI. Em todas, disse que nenhuma vacina está descartada e afirmou que o instituto ligado ao governo paulista é “parceiro do Programa Nacional de Imunizações”.

A preferida de cada um

Bolsonaro elegeu a dose de Oxford / AstraZeneca / Fiocruz como sua preferida.

O imunizante já tem um cronograma de produção pelo ministério, se os testes mostrarem que ele é eficaz. A previsão é que, no 1º semestre do ano que vem, 100 milhões de doses sejam entregues à pasta, à razão de 15 milhões por mês.

No caso da CoronaVac, todos os passos de seu desenvolvimento vêm sendo anunciados por Doria. O tucano já fixou até uma data de início de aplicação da dose: 15 de dezembro deste ano, caso ela seja aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) até lá.

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.