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04 de abril de 2015, 11h03

Há 47 anos morria Martin Luther King

Nos últimos anos de vida, Luther King esteve sob escuta telefônica, por parte do FBI, e também foi controlado pelos serviços secretos militares por participar em manifestações contra a Guerra do Vietnã, em 1967. Além disso, ao defender reformas econômicas radicais, criou inimigos em Washington

Nos últimos anos de vida, Luther King esteve sob escuta telefônica, por parte do FBI, e também foi controlado pelos serviços secretos militares por participar em manifestações contra a Guerra do Vietnã, em 1967. Além disso, ao defender reformas econômicas radicais, criou inimigos em Washington

Por Antônio José André, no Esquerda.net

A sua luta pelos direitos civis e a sua participação em manifestações pacíficas despertou a consciência do país para uma participação na instauração de uma sociedade mais justa. A sua ação valeu-lhe o Prêmio Nobel da Paz, em 1964.

Nos últimos anos de vida, Luther King esteve sob escuta telefônica, por parte do FBI, e também foi controlado pelos serviços secretos militares por participar em manifestações contra a Guerra do Vietnã, em 1967. Além disso, ao defender reformas econômicas radicais, em 1968, inclusivamente um subsídio anual mínimo para todos, Luther King criou inimigos em Washington.

No dia 4 de abril de 1968, Luther King estava em Memphis para apoiar a greve dos trabalhadores dos serviços sanitários e ia jantar, quando uma bala o atingiu no queixo e perfurou sua medula espinhal. Foi declarado morto ao chegar ao hospital local. Tinha 39 anos.

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Nos meses anteriores, Luther King estava cada vez mais preocupado com a desigualdade econômica nos EUA e organizou a Campanha do Povo Pobre. Em março de 1968, foi a Memphis apoiar a greve dos trabalhadores dos serviços sanitários, majoritariamente afro-americanos.
No dia 28 de março, uma marcha de protesto dos trabalhadores, liderada por Luther King, terminou em violência, com a morte de um adolescente afro-americano. King deixou a cidade, mas prometeu voltar em princípios de abril para encabeçar outra manifestação.

Em 3 de abril, regressou a Memphis, pronunciando o que seria o seu derradeiro sermão: “Tivemos algumas dificuldades, há dias atrás. Porém nada importa para mim agora, porque estive no alto da montanha… E Ele permitiu que eu subisse a montanha. Olhei ao redor e avistei a Terra Prometida. Não irei até lá convosco, mas quero que esta noite saibam que nós, como povo, chegaremos à terra prometida.”
No dia seguinte, King foi assassinado por um franco-atirador. Assim que a notícia se espalhou, a população saiu às ruas em várias cidades do país. A Guarda Nacional foi deslocada para Memphis e Washington.

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No dia 9 de abril, King foi enterrado na sua cidade natal, Atlanta (Geórgia-EUA). Dezenas de milhares de pessoas alinharam-se nas ruas para ver passar o caixão colocado sobre uma simples carroça rural, para prestar-lhe o último tributo.

Na noite do homicídio, uma espingarda de caça foi encontrada numa pensão a um quarteirão do Lorraine Motel. Nos meses seguintes de investigação, a arma e os relatos de testemunhas oculares apontavam para um único suspeito: James Earl Ray.

Criminoso comum, Ray tinha fugido duma prisão no Missouri, em abril de 1967, onde cumpria uma sentença por assalto. Em maio de 1968, começou uma intensa caça a Ray. Finalmente, o FBI constatou que ele tinha obtido um passaporte falso.

No dia 8 de junho, a Scotland Yard prendeu Ray no aeroporto de Londres. Tentava voar para a Bélgica com o objetivo de chegar à Rodésia. Àquela altura, a Rodésia tinha um governo de minoria branca, opressor e internacionalmente condenado.

Extraditado para os EUA, declarou-se culpado perante um juiz de Memphis, em março de 1969, para evitar a cadeira elétrica. Foi sentenciado a 99 anos de prisão. Três dias depois, tentou retirar a sua declaração de culpa, afirmando-se inocente.

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Alegou ter caído numa conspiração, afirmando que, em 1967, um sujeito misterioso chamado “Raoul” o recrutou para trabalhar numa empresa de tráfico de armas. No dia do assassinato, deu conta que seria o bode expiatório da morte de King, resolvendo fugir.

Ao longo dos anos, o crime foi diversas vezes reexaminado, mas chegou-se sempre à mesma conclusão: James Earl Ray matou Martin Luther King. Um comitê nomeado pelo Congresso reconheceu que podia ter havido uma conspiração, mas não havia provas para sustentar essa tese. Ray tinha uma razão para assassinar King: o seu ódio racial.

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