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08 de fevereiro de 2012, 19h04

Henrique Meirelles com a corda no pescoço

Porto Alegre (RS) – Não sou e nem quero ser a Pitonisa, aquela sacerdotisa assistente do deus grego Apolo que tinha o dom de adivinhar o futuro. Mas quero arriscar uma pequena adivinhação sobre o governo Lula. Acho, eu disse que apenas acho que o presidente do Banco Central Henrique Meirelles está com os dias contados à frente da política monetária e fiscal do governo Lula. Existem vários indicadores que apontam para este desfecho ao impasse que está estabelecido entre o Palácio do Planalto e a direção do Banco Central que, como sabemos, representa todo o poderio econômico e político do capital financeiro e bancário do Brasil.

Na campanha de 2002, a mesma que deu a primeira vitória ao ex-metalúrgico Lula, alguns petistas liderados pelo coordenador da campanha de então, Antônio Palocci, fizeram um pacto com os banqueiros brasileiros e representantes de bancos internacionais. O principal ponto desse acerto secreto foi de manter a política monetária e fiscal do futuro governo Lula. Assim foi feito.

Palocci acabou virando ministro da Fazenda e Henrique Meirelles, ex-presidente do Boston Bank, virou presidente do Banco Central com ampla soberania sobre a política monetária do governo popular e democrático do presidente Lula.

Uma grande contradição. E como toda grande contradição antagônica, não se sustenta por muito tempo. O ministro Palocci, como todos sabem, caiu por sua própria fragilidade, ainda na primeira gestão Lulista, vindo a predominar no governo uma política econômica desenvolvimentista, através da ascensão da ministra Dilma Rousseff e do ministro Guido Mantega. Mas permanecia no Banco Central a hegemonia dos banqueiros e a força pessoal do presidente Meirelles.

Com o recrudescimento da crise internacional que começou financeira e agora se revela uma crise clássica da economia capitalista como um todo, aqui no Brasil, o governo Lula passou a ter dificuldades para ocultar a queda-de-braço entre o Banco Central e o desenvolvimentismo que predomina felizmente no Planalto.

O Banco Central tem mantido imutáveis as taxas de juros. Alega que é para controlar uma possível inflação que ninguém vê, portanto um fantasma. Assim o Banco Central faz terrorismo com um fantasma, acena com algo que não existe. Inflação num ambiente de pré-recessão econômica. Isso não existe.

Por isso eu digo que é frágil a situação de Meirelles no governo Lula. Não é possível sustentar uma posição política apenas com discurso terrorista e de ameaças fantasmagóricas. Ao defenestrar Meirelles, o presidente Lula tem que aproveitar a crise internacional para impor uma nova política econômica no Brasil.

Depois de 30 anos de hegemonia do capital financeiro, a população exige novas prioridades políticas que privilegiem as maiorias e não apenas uma minoria parasitária que não quer trabalhar.

Pensem nisso, enquanto eu me despeço.

Até mais.

Cristóvão Feil é sociólogo e editor do blog Diário Gauche (www.diariogauche.blogspot.com). Da Agência Chasque.


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