Homem que atacou Contarato e expôs seu filho é indiciado pela PF

Senador diz que foi "doloroso" ver uma criança de apenas 7 anos ter a imagem exposta só por ser seu filho

A Polícia Federal indiciou na noite desta segunda-feira (22) um homem que fez uma postagem atacando o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) e que expôs o filho dele, Gabriel, que tem 7 anos de idade.

O autor da postagem, Giovani Loureiro foi indiciado pelo crime de injúria contra funcionário público em redes sociais.

O senador Fabiano Contarato registrou um boletim de ocorrência na Superintendência da Polícia Federal no dia 15 de novembro.

“Nojo”

Na publicação, Giovani tirou uma foto onde se vê Contarato, mais dois homens e o seu filho, que brinca na areia.

“Eu agora a (sic) pouco na minha praia e vem esse infeliz sem vergonha, e ainda traz o filho adotivo pra fazer marketing! Aqui no ES esse senador de merda jamais será reeleito! Fora Contarato! Lixo”.

Apesar do conteúdo repleto de ódio, Giovani declarou ao portal Gazeta que está “arrependido” e que a sua intenção não era expor o filho de Fabiano Contarato.

Mas porque então ele afirmou que o parlamentar levou o filho para fazer marketing na praia?

Homem acusa Contarato de usar filho para fazer marketing/ Foto: reprodução

Crime

O delegado federal responsável pelas investigações, diante da confissão e arrependimento expresso do investigado em relação a sua postagem, dispensou a busca pela evidência e a oitiva de testemunhas.

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Apesar de seu arrependimento, o autor da publicação foi indiciado por injúria qualificada.

Foi “doloroso” ver uma criança de apenas 7 anos ter a imagem exposta só por ser seu filho

Em nota enviada à Fórum, o senador afirma que, após voltar da COP26 em Glasgow, atendeu a um pedido de seu filho Gabriel para ir à praia para “fazer castelinho de areia”.

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Como já foi alvo de ataques de bolsonaristas, já avisou seu filho de antemão que eles teriam que ir embora caso fossem alvo de alguma investida intolerante.

“Fomos, então, à Praia de Itapuã, hoje (15/11), por volta das 11h30, e fiquei feliz por proporcionar esse momento módico de lazer ao meu pequeno Gabriel. Tudo parecia correr bem: retornamos, após esse breve passeio recreativo, sem qualquer inconveniente. Mas, algumas horas depois, recebi um print, primeiro no Whatsapp e, após, em minha conta no instagram, dando conta de uma postagem preconceituosa que destilava a inadmissível ira do bolsonarismo contra meu pequeno Gabriel”, relatou o senador.

Na postagem, o homem coloca uma foto de Contarato com o filho na praia e o chama de “lixo” e “sem vergonha” por “fazer marketing” levando a criança à praia.

“Nada foi tão doloroso, porém, quanto ver seu ultraje gratuito contra o Gabriel, uma criança inocente de 7 anos, que teve sua imagem exposta nas redes e foi menoscabado apenas por ser meu filho e, sobretudo, por ser fruto de uma adoção. O ódio é uma doença perversa: desumaniza suas vítimas e as submete a toda sorte de violência”, afirma Contarato.

O senador informou que já registrou um boletim de ocorrência na polícia contra o fato. “Espero que, caso o Sr. Giovani Loureiro seja pai, possa refletir sobre a sua infâmia e não repita essa vileza contra crianças inocentes, que não podem ser detratadas por querelas da política partidária: os interesses de menores indefesos devem ser colocados acima de tudo isso”, emenda ainda o senador.

Confira a íntegra da nota de Contarato sobre o caso


Após cumprir missão oficial na COP-26 e passar dias longe de minha família, recebi, na manhã de hoje, um pedido irrecusável do meu filho Gabriel, de 7 anos: “Papai, me leva na praia pra fazer castelinho de areia!”, disse ele.

Já fui vítima de inúmeros radicais bolsonaristas, que se sentem autorizados a assediar aqueles que rejeitam suas teses políticas anti-civilizatórias. Ainda que ninguém tenha direito de constranger alguém por divergências políticas, sempre entendi se tratar de um preço a ser pago por ter optado pela vida pública.

Receando alguma intercorrência dessa natureza, assenti ao pedido de meu filho, advertindo-o de que teríamos que deixar a praia, caso alguém decidisse nos molestar durante o passeio. Fomos, então, à Praia de Itapuã, hoje (15/11), por volta das 11h30, e fiquei feliz por proporcionar esse momento módico de lazer ao meu pequeno Gabriel.

Tudo parecia correr bem: retornamos, após esse breve passeio recreativo, sem qualquer inconveniente. Mas, algumas horas depois, recebi um print, primeiro no Whatsapp e, após, em minha conta no instagram, dando conta de uma postagem preconceituosa que destilava a inadmissível ira do bolsonarismo contra meu pequeno Gabriel.

A postagem do Sr. Giovani Loureiro, um suposto corretor de imóveis que atua em minha cidade, me chamava de “lixo”, “traidor”, “infeliz”, “sem vergonha” e “senador de merda”. Nada foi tão doloroso, porém, quanto ver seu ultraje gratuito contra o Gabriel, uma criança inocente de 7 anos, que teve sua imagem exposta nas redes e foi menoscabado apenas por ser meu filho e, sobretudo, por ser fruto de uma adoção. O ódio é uma doença perversa: desumaniza suas vítimas e as submete a toda sorte de violência.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu art. 18, diz ser “dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”.

Advirto que não tolerarei qualquer ato de agressão aos meus filhos e à minha família. Não me intimidarão com esses ataques desprezíveis: registrei um boletim de ocorrência na Polícia Federal, neste fim de tarde, e providenciarei a responsabilização do autor desta agressão.

Espero que, caso o Sr. Giovani Loureiro seja pai, possa refletir sobre a sua infâmia e não repita essa vileza contra crianças inocentes, que não podem ser detratadas por querelas da política partidária: os interesses de menores indefesos devem ser colocados acima de tudo isso.

Em minha casa, o amor sempre vencerá o ódio!

Fabiano Contarato

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).