Homem negro pode ter bike elétrica? Para duas pessoas brancas do Leblon, não; veja vídeo

Matheus aguardava por sua namorada quando, duas pessoas brancas o interpelaram e o acusaram de ter roubado a bike que usava

Parece cena de algum filme do Gaspar Noé, mas é só o racismo cotidiano no Brasil. Era pra ser um Dia dos Namorados tranquilo, mas, enquanto Matheus Ribeiro, montado em sua bicicleta elétrica, aguardava a sua namorada em frente ao Shopping Leblon, um casal de pessoas brancas o acusou de ter roubado a bicicleta.

“Na tarde de ontem, Dia dos Namorados, eu estava esperando minha namorada em frente ao shopping Leblon. Quando do nada me aparecem esses dois jovens com as seguintes frases: ‘VOCÊ PEGOU ESSA BICICLETA ALI AGORA, NAO FOI?’, ‘É SIM, ESSA BICICLETA É MINHA!’ – replicou a jovem moça”, conta Matheus em relato postado em suas redes.

Diante do absurdo da cena, Matheus conta que nos primeiros momentos ficou sem reação, mas em seguida teve de provar que a bicicleta era sua.

“E daí, eu sem entender nada, fui tentar mostrar pros dois que a bicicleta é minha, com fotos antigas com ela, chave, o que foi possível naquele momento de segundo. Porém eu só consegui provar que a bicicleta é minha, quando sem minha autorização, o lindo rapaz pega o cadeado da minha bicicleta e tenta abrir. Frustrado com sua tentativa, ele diz que não me acusou, afinal, o rapaz só estava perguntando”, ironiza Matheus.

“Moral da história, esses filhos da puta não aguentam nos ver com nada, no mesmo lugar que eles?! Piorou. Eu não era alguém pedindo esmola ou vendendo jujuba… Um preto numa bike elétrica?! No Leblon???! Aaah só podia ser, eu acabei de perder a minha, foi ele…”.

Em seu relato, Matheus afirma que uma pessoa negra com uma bicicleta elétrica é uma afronta para as pessoas brancas.

São coisas que encabulam o racista. Eles não conseguem entender como você está ali sem ter roubado dele, não importa o quanto você prove”, disse.

Acusado de ter roubado a bicicleta, Matheus afirma que isso “não foi um desespero de que foi furtado, isso é o desespero do racista quando vê a gente perto”.

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“Ela não tem ideia de quem levou sua bicicleta, mas a primeira coisa que vem a sua cabeça é que algum neguinho levou”, critica.

Matheus filmou todo o ocorrido. Confira abaixo.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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