Arte usada pelo governo para “homenagear” o Dia do Agricultor foi adquirida em banco de imagens

O perfil oficial da Secom usou a foto de um homem armado para "celebrar" o trabalho no campo; violência no campo aumentou com Bolsonaro

O perfil oficial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) utilizou uma imagem com um homem armado para “celebrar” o Dia do Agricultor, que se comemora nesta quarta-feira (28).

Posteriormente à divulgação da imagem, se descobriu que a Secom adquiriu a imagem em banco de imagens.

Para encontrá-la no portal iStock, utilizamos as seguintes palavras chaves: “homem”, “arma”, “violência” e “campo”. Para adquirir a imagens a Secom pagou R$ 45.

Imagem que a Secom adquriu para ilustrar campanha do Dia do Agricultor

No portal do Getty Images, o caminho para se encontrar a imagem é o mesmo: “violência”, “campo”, “arma”, mas nesse caso a imagem é mais cara: R$ 3 mil.

Para homenagear agricultor, governo federal exalta milícias do campo

Em arte divulgada pelo canal oficial da Secom, um homem segurando uma espingarda ilustra a arte em referência ao Dia do Agricultor

O perfil oficial da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) prestou homenagem nesta quarta-feira (28) aos agricultores, até tudo bem, mas a homenagem é o problema.

Para ilustrar a arte em referência ao Dia do Agricultor, o governo federal não colocou os tais trabalhadores aos quais a homenagem se refere, mas sim um jagunço segurando uma pistola.

Ou seja, o governo oficializa a utilização de milícias campesinas por agricultores para “proteger” as suas terras.

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Não à toa, a violência no campo aumentou com a chegada de Jair Bolsonaro (sem partido) ao Palácio no Planalto.

Repercussão

O deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) afirmou que tal ação é “o retrato de um governo miliciano”.

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O líder do MST, João Paulo, afirmou que os homens do campo produzem comida e não violência.

Crimes no campo

De acordo com levantamento do Repórter Brasil, durante o primeiro ano do governo Bolsonaro foram registradas 31 vítimas da violência do campo.

Depois de um ano dessas mortes, ninguém foi julgado e apenas um crime foi considerado encerrado, o de um indígena no Amapá.

Além disso, outras 19 investigações (61%) não foram concluídas.

O levantamento também revela que a maioria dos casos envolve disputa por terra (39%) ou defesa de territórios indígenas (29%).

Por fim, a “homenagem” ao agricultor feita pelo governo Bolsonaro, na verdade é uma oficialização das milícias do campo que promovem terror e assassinatos.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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