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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Insatisfação contra muros nas favelas do Rio aumenta

A construção dos 11 km de muro, entre 11 favelas do Rio de Janeiro e as matas das encostas, está acirrando os ânimos das comunidades locais e também de organizações comunidade internacional.

Após a Federação das Favelas do Rio ter realizado um ato público de repúdio à construção do muro e prometido entrar na justiça contra a medida, foi a vez da ONU criticar a obra.

Ontem, 5, em sabatina do Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais das Nações Unidas, uma comitiva de representantes do governo brasileiro teve que apresentar argumentos para defender a construção do muro e a todos os problemas sociais vividos pelo país.

Para o perito da ONU Alvaro Tirado Mejiam, o governo está implantando no Rio uma “discriminação geográfica". O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos do Brasil, espantou-se com o questionamento, mas admitiu que o muro carrega o símbolo da limitação dos direitos humanos da população mais pobre. Mas, declarou que não considera a medida comparável à construção de muros como os muros entre Estados Unidos e México e entre Israel e Palestina.

O muro, que esta sendo construído desde meandros de abril, em torno da favela Santa Marta, já tem outro local para ser erguido, a Rocinha.

O governo do estado do RJ planeja erguer muros em 11 favelas da zona sul da capital até o fim do ano com o argumento de barrar a expansão horizontal das favelas por sobre as matas das encostas dos morros, chamando-os de “eco-limites”. Segundo o Instituto Pereira Passos (IPP), ligado à prefeitura do Rio de Janeiro, as favelas da zona sul são justamente as que menos cresceram horizontalmente nos últimos anos, sendo que a Santa Marta inclusive teve sua área diminuída em 1%.

Problemas sociais A comissão da ONU também colocou a comitiva brasileira contra a parede acerca dos problemas sociais do país. Os peritos também denunciaram a impunidade, a perseguição a ativistas de direitos humanos, a discriminação da mulher e a omissão do governo em episódios de crimes graves no Brasil. O governo brasileiro ainda foi questionado sobre a corrupção e a falta de acesso da população ao sistema judiciário.

Vanucchi reconheceu as injustiças sociais presentes no país, lembrando do genocídio contra os índios, o modelo colonizador, a escravidão e a ditadura militar de 1964. A ONU pede que o governo dê respostas concretas aos questionamentos hoje.

Na Fórum do mês de maio será publicada uma matéria sobre a construção do muro nas favelas do Rio de Janeiro.

Com informações da Agência Estado.


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