Insatisfeitos com Bolsonaro, alto escalão da PF ameaça entregar cargos

Categoria afirma que foi desvalorizada e manipulada pelo atual governo; policiais também se queixam que a Polícia Federal se tornou “submissa” ao Palácio do Planalto

Insatisfeitos e sentindo-se desvalorizados pelo governo Bolsonaro, policiais federais que ocupam postos de chefia na corporação ameaçam entregar os cargos.

Uma das principais insatisfações da categoria são as perdas financeiras e de direitos com a reforma da Previdência e a PEC emergencial. Para a categoria, o presidente Bolsonaro privilegiou os miliares em detrimento dos policiais.

Além de se sentirem desvalorizados, os policiais federais também se queixaram durante atos realizados nesta terça-feira (16), em que foi comemorado o Dia do Policial Federal, de que a Polícia Federal está “submissa” ao governo Bolsonaro.

A insatisfação dos policiais federais é uma péssima notícia para o governo de Jair Bolsonaro, mas também é um reflexo do que as últimas pesquisas têm revelado: setores fiéis ao presidente começam a abandonar o barco.

Aprovação de Bolsonaro despenca entre evangélicos

O governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) é considerado ruim ou péssimo por 52% dos entrevistados, de acordo com a última pesquisa Exame/Ideia. Entre os evangélicos, 28% avaliam o governo Bolsonaro como ótimo ou bom, 11 pontos percentuais a menos do que a rodada de 22 de outubro.

Já com relação à maneira como Bolsonaro lida com seu trabalho como presidente, 54% desaprovam enquanto 23% aprovam.

Recuperação teria que ser recorde


Maurício Moura, fundador do IDEIA considera que “apesar de ter um nível de aprovação sólido e constante nos últimos meses [cerca de 25% dos entrevistados], o presidente Jair Bolsonaro tem níveis de aprovação abaixo de seus pares que tentaram a reeleição”.

Moura lembra que, no terceiro ano de mandato, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff tinham um patamar de aprovação acima de 30% e menor rejeição. “E, para serem reeleitos, precisaram melhorar sua performance de popularidade no ano eleitoral. No caso de Bolsonaro, essa recuperação teria de ser recorde”, alerta.

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Lula se aproxima de vitória no primeiro turno e Moro supera Ciro, diz pesquisa Quaest

O ex-presidente Lula (PT) tem 48% das intenções de voto nas eleições presidenciais de 2022, contra 21% do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), excluindo nulos e brancos. Dessa forma, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) pela Genial/Quaest, Lula se aproxima da vitória no primeiro turno – contando votos válidos, ele teria 56%.

O levantamento mostra, ainda, Sergio Moro – que se filiará nesta manhão ao Podemos – na frente de Ciro Gomes (PDT), que colocou sua pré-candidatura em suspenso. O ex-juiz tem 8% dos votos, enquanto o ex-ministro, 6%.

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Em seguida, vem o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 2%; e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), com 1%. Felipe d’Avila (Novo) não pontuou. Os votos brancos e nulos somaram 10%, e 4% dos eleitores se declararam indecisos.

Em um segundo cenário sem Doria e com Eduardo Leite (PSDB), Lula também sai na frente com 47%, seguido por 21% de Bolsonaro. Depois, aparecem Sergio Moro (8%); Ciro Gomes (7%); Rodrigo Pacheco (1%) e Eduardo Leite (1%). Felipe d’Avila não pontuou. Os votos brancos e nulos somaram 10%, e 4% dos eleitores se declararam indecisos.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).