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02 de novembro de 2019, 21h55

Janaina Paschoal questiona e USP cancela prova que menciona Lula como preso político

O exame também fala que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, foi um golpe

Foto: Francisco Emolo/USP Imagens

A Faculdade de Saúde Pública da USP cancelou uma prova de seleção para um curso de especialização, cuja algumas questões mencionavam que o ex-presidente Lula é um preso político e que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, foi um golpe.

A decisão foi tomada depois que a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) questionou o conteúdo das questões durante discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo. O exame pretendia escolher candidatos que fariam um curso a distância de especialização em saúde pública.

Uma das perguntas citadas pela deputada afirmava: “Dentre as medidas recentes dos governos após o golpe de 2016, há uma que limita as ações públicas” e solicitava que o candidato escolhesse um tema abordado com frequência pela direita e extrema direita. A resposta era ideologia de gênero.

Já Lula era a resposta à pergunta sobre “aquele que está sendo considerado mundialmente um prisioneiro político”. O impeachment da ex-presidente foi abordado assim: “A saída de Dilma Rousseff da Presidência da República se deu por meio de: a) desvios orçamentários; b) greves dos sindicatos; c) golpe institucional; d) denúncias de corrupção; e) exigência do Congresso Nacional”. A alternativa apontada como correta era “golpe institucional”.

A deputada Janaina alegou que recebeu denúncias de candidatos sobre o exame, que classificou como nulo, e que os responsáveis deveriam responder por improbidade administrativa. “Nós estamos falando de um processo seletivo para saúde pública em que nenhuma das perguntas diz respeito a saúde pública […] Todas as perguntas trazem como alternativa aguardada como correta uma linha ideológica. Não estou sequer criticando essa linha ideológica, estou dizendo que numa universidade pública não se pode impor e, pior, cobrar como critério de aprovação nenhuma linha ideológica”, criticou a parlamentar.

O diretor da Faculdade de Saúde Pública, Oswaldo Tanaka, disse à Folha de São Paulo que as questões mencionadas pela deputada são verdadeiras. Ele contou que havia 1.900 candidatos para 80 vagas e o objetivo era saber se eles estavam cientes sobre temas de conhecimentos gerais. Ele confirmou também que não havia questões sobre saúde pública, pois o curso era aberto a profissionais também de outras formações de nível superior.


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