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03 de junho de 2017, 14h57

Jean Wyllys: Uma decisão justa contra o ódio e a misoginia

Vocês acham que o pseudo-humorista patético Danilo Gentili faria com um deputado homem, hétero e branco o que fez com a deputada Maria do Rosário? É claro que não.

Vocês acham que o pseudo-humorista patético Danilo Gentili faria com um deputado homem, hétero e branco o que fez com a deputada Maria do Rosário? É claro que não.

Por Jean Wyllys*

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) determinou a retirada imediata das redes sociais do vídeo em que Danilo Gentili ofende a deputada federal Maria do Rosário. De acordo com o desembargador Túlio de Oliveira Martins, o vídeo “é de natureza misógina, representando agressão despropositada a uma parlamentar e às instituições, materializando-se virtualmente em crime que, se for o caso, deverá ser apurado em instância própria”. É uma decisão justa que põe um necessário limite ao ódio e à misoginia como armas políticas. Gentili não é um comediante, mas um operador político, e o que ele fez não tem nada a ver com o humor e o SBT, enquanto concessão pública de televisão, também deve se responsabilizar por colocar uma pessoa de tão baixo nível em sua grade de programação.

O grupo de porta-vozes do discurso fascista ao qual Gentili pertence, junto a outras figuras públicas que todos conhecem, escolheu há tempos a Maria de Rosário e outras lideranças e figuras públicas de esquerda, em especial aquelas comprometidas com a agenda da defesa de direitos humanos e minorias, como alvos de uma campanha de desumanização que vai muito além de cada uma de suas vítimas: é uma campanha contra as mulheres, os LGBT, os negros e negras que não aceitam um papel submisso e subalterno, e, também, contra o pensamento de esquerda e contra todos e todas que defendemos os direitos humanos.

Não é por acaso que eles direcionam, preferencialmente, a artilharia criminosa nas redes sociais e nos espaços da mídia tradicional para parlamentares e figuras públicas de esquerda que são mulheres ou homossexuais assumidos. Vocês acham que o pseudo-humorista patético faria com um deputado homem, hétero e branco o que fez com a deputada Maria do Rosário? É claro que não. Da mesma forma que ele não gravará um outro vídeo rasgando este despacho emitido pelo desembargador do TJRS e fazendo as mesmas insinuações de abuso e violência sexual que praticou contra a Rosário.

O pseudo-humorista não passa de um covarde ignorante, sem talento, que abriu mão de ser um mau palhaço para se transformar num palhaço do mal (perdoem-me os palhaços de verdade). Que estas duas condenações – movidas pela deputada Maria do Rosário e pelo jornalista Gilberto Dimenstein – se juntem à resposta judicial dada em favor da doadora de leite materno e que sejam as primeiras de muitas respostas que a truculência de Gentili merece.

(Foto: Agência Câmara)

*Jean Wyllys é deputado federal pelo PSOL. Texto originalmente publicado aqui

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