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07 de janeiro de 2020, 23h04

Jornalista antichavista admite que Guaidó fez encenação e que é financiado pelos EUA

A versão contada por Patricia Poleo, em entrevista ao programa do também antichavista Jaime Bayly, confirma as informações que a Fórum publicou nesta segunda-feira (6) sobre como ocorreu a confusão após a derrota de Guaidó na eleição para a presidência da Assembleia Nacional

Reprodução

Na noite desta segunda-feira (6), a jornalista venezuelana Patricia Poleo foi a principal entrevistada no programa do apresentador peruano Jaime Bayly, transmitido desde Miami pelo canal MegaTV. Ambos estão entre os mais conhecidos comunicadores antichavistas na América Latina e dentro da comunidade hispânica dos Estados Unidos. Por isso mesmo as revelações de Poleo no programa causaram tanta polêmica.

A entrevista começa com Bayly perguntando a Poleo “sobre que coisas estarrecedoras você pode nos contar”, em clara alusão à eleição da Assembleia Nacional da Venezuela, neste domingo (5), que terminou com derrota do favorito de ambos, Juan Guaidó. Surpreendentemente, Poleo começa sua resposta admitindo que Guaidó não foi barrado pela segurança, que teve, sim, sua entrada autorizada, e que há vídeos que comprovam isso (como revelou a Fórum nesta terça). “Não é nem uma informação que eu estou trazendo, é o que provam os vídeos que mostraram isso”, confessa Poleo.

Aliás, a versão contada pela jornalista antichavista confirma as informações que a Fórum publicou nesta segunda-feira, com o testemunho da brasileira Fania Rodrigues, que cobriu a eleição para o Opera Mundi.

Depois disso, Bayly pergunta sobre a cena de Guaidó tentando pular o portão da Assembleia Nacional, e Poleo não só confirma que aquilo foi uma encenação como considera que foi uma estratégia correta por parte dele: “De outra forma, ele não poderia dizer que tinha sido barrado, não poderia enviar sua mensagem ao mundo, de denúncia da tirania”. Ainda assim, ela tenta justificar, dizendo que “o que Guaidó fez (a encenação) é tão legítimo quanto o que fez Luis Parra” – este segundo nome citado é o do deputado do setor antichavista mais moderado, que venceu a eleição e assumiu a presidência da Assembleia Nacional.

Outro momento importante é quando a jornalista venezuelana conta que parte do grupo de 100 deputados que Guaidó afirma que apoiam sua reeleição é formada por deputados que estão cassados, e cujos suplentes estão em exercício – e ela reclama que alguns cometeram “el disparate” (o crime) de votar contra Guaidó. Poleo também admite que alguns desses cassados estão vivendo fora da Venezuela, embora Guaidó os assuma como apoios reais que tem dentro do país.

Mas a cereja do vídeo está no final, quando Poleo explica como se produziu uma dissidência dentro da oposição ao governo de Nicolás Maduro, a ponto de Guaidó perder seu apoio na Assembleia, e até a presidência da casa. A partir do minuto 2:40, a jornalista conta que “é importante dizer que há um grande ressentimento entre alguns deputados, porque inclusive se conta que entregaram dinheiro à Assembleia para o seu funcionamento, os Estados Unidos deram. Então, onde está esse dinheiro? Alguns deputados receberam dinheiro, outros reclamaram que `fulano está recebendo 500 e eu estou recebendo 100´. Essa realidade esteve sendo discutida nos últimos meses, e a partir disso surgiu a discórdia”.

Nesse momento, Bayly pergunta: “Quer dizer então que Guaidó também tem um caixa oculto pelo qual recebe dinheiro e divide entre os aliados”. E Poleo confirma: “Quem diz isso é o Elliott Abrams (assessor de Donald Trump encarregado especialmente de políticas para a Venezuela)”. Bayly continua: “A ajuda anual dos Estados Unidos para a causa de Guaidó foi de 90 ou 100 milhões de dólares”. Poleo devolve com outra pergunta: “onde está esse dinheiro? Eu tenho direito (de saber), porque é dinheiro que sai dos meus impostos, e dos seus”.

Ambos os jornalistas são radicados na Flórida.

Assista.


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