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21 de fevereiro de 2014, 19h33

Justiça à moda brasileira: suspeito de roubo é jogado em formigueiro

O ocorrido foi em Teresina (PI) e o secretário de segurança do estado, Robert Rios Magalhães, ficou sabendo pelas redes sociais e pelo jornal inglês Daily Mail

O ocorrido foi em Teresina (PI) e chegou a ser noticiado pelo jornal inglês Daily Mail, que fez um alerta: “Não vá assaltar no Brasil”

Por Vinicius Gomes

Reprodução/Facebook

Em mais uma prova de como o discurso promovendo a “autodefesa coletiva dos cidadãos de bem” pode cruzar facilmente a tênue linha de certo ou errado, o vídeo de um homem suspeito de assalto na periferia de Teresina, no Piauí, amarrado e colocado em um formigueiro tornou-se notícia internacional, com a manchete nada lisonjeira – mas ultimamente “compreensível” – de “Justiça estilo brasileiro”.

A cena foi registrada em fotos e vídeos e publicada nas redes sociais No vídeo (abaixo) é possível ver o suspeito imobilizado, com os pés e mãos amarrados, e marcas de agressão no rosto. Em seguida, duas pessoas arremessam o homem sobre um formigueiro e, enquanto ele agoniava de dor, é possível ouvir pessoas perguntarem a ele: “Agora você lembra de Deus? Quando roubava, não lembrava, né?”.

De acordo com o sociólogo José de Souza Martins, professor aposentado da USP, que há mais de 20 anos documenta linchamentos no país, a sociedade civil está sem controle.

Em Goiânia, foram registrados – em menos de 24 horas – três casos de agressão após tentativas de furto e roubo. Segundo o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Goiás, Henrique Tibúrcio serão designados membros das comissões de Direitos Humanos (CDH) e de Segurança Pública da Ordem para acompanhar as investigações dos casos registrados. Ele lembra que, ao partir para a agressão, qualquer um se coloca na condição de criminoso, tanto quanto os agredidos.

“Temos grande preocupação disso tornar algo corriqueiro e, pior, que a sociedade aplauda essa atitude e passe a achar legitimo essas ações. Temos a noção exata de que essas agressões são muito ruins, e acabam gerando mais criminalidade”, sustenta Tibúrcio.

Muitos que defendem esse tipo de ação têm em suas mentes a ideia de que qualquer pessoa que quiser agredir o criminoso já capturado, amarrado ou imobilizado, está com toda e absoluta razão, pois todos nós, “cidadãos de bem”, somos vítimas. O grande perigo nessa ideia é exatamente aquilo que o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) apontou ao entrar com uma representação no Ministério Público Federal contra a jornalista Rachel Sheharazade – promotora da nobre campanha “Adote um Bandido” – e o SBT, ao dar razão aos vingadores e justiceiros. Segundo ele, “é como um retorno ao Velho Oeste”.


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