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13 de junho de 2015, 18h48

Kakay: “Minha tese anularia a operação Lava Jato”

Criminalista questiona a validade das investigações e critica a atuação do juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso: “juízes midiáticos estão entre as piores coisas que existem”.

Criminalista questiona a validade das investigações e critica a atuação do juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso: “juízes midiáticos estão entre as piores coisas que existem”

Por Karolina Bergamo*

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Foto: Karolina Bergamo

O nome dele está sempre presente em assuntos polêmicos e nos principais escândalos de corrupção do país. Isso porque Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, é o advogado criminalista mais requisitado entre os políticos que precisam de ajuda com questões legais. Na operação Lava Jato, é responsável por intervir a favor de Roseana Sarney (PMDB-MA), ex-governadora do Maranhão, de Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro e senador, e de Aécio Neves (PSDB-MG), também senador. Na primeira fase da investigação, fez a defesa de Alberto Youssef, porém deixou a função por discordar do fato de o doleiro ter assinado o acordo de delação premiada com o Ministério Público.

Em entrevista coletiva concedida na manhã de hoje (13), em São Paulo, Kakay afirmou que teria conseguido a anulação da investigação com sua “tese imbatível”, se tivesse permanecido como advogado de Youssef. Em setembro do ano passado, o criminalista entrou com um habeas corpus pedindo a anulação da operação. Ele alegou que o juiz federal responsável pelo caso, Sergio Moro, não teria competência legal para julgar o doleiro, pois havia declarado “foro íntimo” – por motivos pessoais, não se sentia apto a julgar o réu – no caso Banestado, em 2003.

Ele afirma ainda que Youssef já tinha quebrado um acordo de delação, logo, não teria mais direito a assinar outros: “Essa delação é absurda.” A tese de Kakay ainda sobrevive e está sendo usada na defesa de outros réus, como, por exemplo, do presidente da empreiteira OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, acusado de fazer parte do cartel de empresas que se revezava na assinatura dos contratos com a Petrobras.

O advogado ainda criticou a atuação de Moro no caso, dizendo que “juízes midiáticos estão entre as piores coisas que existem”. “Se eu decidir falar mal dele em uma praça, com certeza apanho. Ele é competente, porém se comporta como um juiz vingador, jogando o poder judiciário contra a população. Prende, e quando o tribunal solta, este ainda fica parecendo que está do lado errado na história. Tudo o que eles fazem vira verdade absoluta”, destacou.

Outro problema apontado por Kakay é o fato de Moro estar agora atuando apenas em uma causa, a Lava Jato. De acordo com ele, essa é uma característica de tribunais de exceção. “Juiz de exceção só existe em ditaduras. Estamos vivendo uma ditadura do Ministério Público, e a mídia não está atenta à situação, pois os jornalistas não conhecem o Direito”, opinou.

*Entrevista coletiva concedida aos 20 estudantes de jornalismo que participam do Curso de Direito de Defesa e Cobertura Criminal, promovido por Abraji, Instituto de Defesa do Direito de Defesa – IDDD e OBORÉ – Projetos Especiais em Comunicações e Artes, em São Paulo.

Foto de capa: Brasil 247

 


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