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21 de janeiro de 2020, 13h08

Lawfare: em 24h horas, justiça boliviana denuncia novo candidato do partido de Evo Morales

Luis Arce foi envolvido em um processo que já existia, sobre supostos contratos irregulares em um projeto social com recursos de fundo indígena, mas que não contava com nenhuma denúncia contra ele até a semana passada.

Evo Morales e Luis Arce (Foto: reprodução Twitter)

A Justiça tarda… quando é para fazer justiça, porque quando é para atuar politicamente, ela parece ser bem ligeira. Ao menos na Bolívia, onde um Tribunal acatou nesta segunda-feira (20) um pedido do Ministério Público para incluir o ex-ministro de Finanças de Evo Morales, Luis Arce, em um processo antigo que investiga o desvio de verbas em um projeto social ligado ao Fundo de Desenvolvimento Indígena.

O curioso da acusação, e sua aceitação em tempo recorde pelo tribunal, é que ambos os fatos acontecem no dia seguinte ao anúncio oficial do MAS (Movimento Ao Socialismo, partido de Evo Morales) de que Luis Arce será o candidato presidencial do partido para as eleições de maio de 2020.

De qualquer forma, a promotora encarregada do caso, Heidi Gil, negou que exista qualquer intencionalidade política em seu pedido, e afirmou que “temos indícios suficientes para ampliar a investigação, e o tribunal convocará os acusados a testemunhar em breve”.

No entanto, ela admitiu que a iniciativa surgiu de uma solicitação política, feita por Rafael Quispe, que é ninguém menos que o atual diretor do Fundo de Desenvolvimento Indígena, nomeado pela ditadora Jeanine Áñez.

O caso lembra muito os que aconteceram com Fernando Haddad em 2018 e de Alberto Fernández em 2019. O ex-ministro de Educação e ex-prefeito de São Paulo foi acusado de corrupção pelo Ministério Público de São Paulo logo após ser oficializado como candidato do PT e substituto de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras, que terminou perdendo no segundo turno. Já o argentino, após ser anunciado como candidato à presidência, foi envolvido em duas causas que antes acusavam apenas a sua vice, Cristina Kirchner – mesmo assim, acabou sendo inocentado nos processos, e nas urnas, foi eleito já no primeiro turno.

Nova eleição na Bolívia

O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) da Bolívia definiu 3 de maio a data da nova eleição no país que irá escolher o novo presidente e substituir a eleição anulada de 20 de outubro. Em 3 de maio, os bolivianos também vão eleger deputados para a Assembleia Legislativa.

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