6 documentários para entender o Dia Internacional do Orgulho LGBT

Obras abarcam desde a revolta de Stonewall, que deu origem à data, até as questões contemporâneas do movimento de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais

Nesta segunda-feira (28) comemora-se o Dia Internacional do Orgulho LGBT, que teve como ponto de partida a revolta de Stonewall Inn, em 1969, que ficava em Nova York e era frequentado, principalmente, por travestis, transexuais e LGBT latinos e negros.

Diariamente os frequentadores do Stonewall eram enquadrados pela polícia, até que no dia 28 de junho, de 1969, revoltados com as constantes humilhações impostas pela polícia, as LGBT frequentadoras do espaço fizeram um motim contra as forças policiais e construíram uma barricada.

A ação política das LGBT do Stonewall foi tão grande que resultou no chamado movimento Gay Power, de cunho revolucionário e que andava lado a lado com os comunistas e também com o movimento Black Power e com o Partido dos Panteras Negras.

Assim como todos os movimentos de contracultura dos EUA, foram perseguidos pelo Estado estadunidense e desmobilizados.

Mas, com a virada do século e com uma nova geração de militantes LGBT, muitas das bandeiras, para além do casamento igualitário, foram resgatadas, mas com o pé nas necessidades impostas pelo século XXI. Temas como trabalho e raça passam a ter um enfoque mais do que o casamento ou igualdade.

Abaixo selecionamos alguns documentários que dão conta dessa trajetória política com mais de 50 anos de história e em suas várias vertentes.

A morte e a vida de Marsha P. Johnson

Esse documentário conta a história de Marsha P. Johnson a partir da narrativa e das memórias de Sylvia Rivera, que ajuda Victoria Cruz, que atua pela reabertura da investigação sobre a morte de Marsha.
Além de terem atuado na linha de frente no levante de Stonewall, Marsha e Sylvia Rivera fundaram o Gay Liberation Front e, posteriormente, o Street Transvetite Action Revolutionaries (S.T.A.R), que oferecia moradia às LGBT.

Dzi Croquettes

Esse documentário ao mesmo tempo em que conta a história do grupo Dzi Croquettes, também revela a contracultura brasileira e a revolução em termo sexopolítico que ocorreu no Brasil da ditadura.
Muito daquilo que hoje chamamos de “queer” na contemporaneidade já era praticado pelos Dzi Croquettes e por todos os grupos que circundavam em seu universo.

O lampião da esquina

Além de uma contracultura altamente revolucionária em termos sexuais, o Brasil também teve um jornal destinado a retratar a vida LGBT, e mais: era vendido nas bancas de jornais.
Personalidade como Leci Brandão, Lula e FHC foram os entrevistados do jornal O Lampião da Esquina.


Indianara

Este filme acompanha o dia a dia da militante travesti Indianara e, ao mesmo tempo em que narra a sua história, acompanhamos um Brasil ser ocupado pela extrema direita, o assassinato de Marielle Franco e a eleição de Jair Bolsonaro. Documentário obrigatório.

Meu Amigo Claudia

Claudia Wonder foi uma das principais personagens da história LGBT do Brasil. A sua vida política e sua arte atravessaram a ditadura e chegaram até a primeira metade do século XXI influenciando toda uma geração.

Bixa Travesty

Neste documentário acompanhamos a ascensão da carreira da cantora e artista performática Linn da Quebrada. O filme, assim como o documentário Indianara, traz todas as questões e conflitos contemporâneos da comunidade e nos revela um movimento LGBT mais próximo daqueles que existiram em torno do Gay Power e da contracultura das décadas de 1960 e 1970, mas com as bandeiras e necessidade do século XXI.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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