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11 de dezembro de 2013, 19h19

Livro que defende surra como método “educativo” gera polêmica nos EUA

Em dois casos recentes de assassinato de crianças, suspeita-se que os pais tenham sido influenciados pela obra

Em dois casos recentes de assassinato de crianças, suspeita-se que os pais tenham sido influenciados pela obra

Por Redação

Foto: Divulgação

Publicado originalmente em 1994, To train up a child (Treinando uma criança) é um livro que defende a surra com galhos, fivelas e outros tipos de espancamento como método aos pais para “educarem” os seus filhos. Porém, a obra tem sido alvo de várias organizações que têm pedido à principais livrarias para retirarem o livro de seus catálogos. Isso por que em dois recentes casos de crime contra crianças suspeita-se que os pais tenham sido influenciados pela obra. A publicação já vendeu mais de 800 mil cópias.

Além de sugerir espancamento como “mecanismo de educação”, o pastor Michael Pearl, autor do livro, também trata do ambiente escolar, o qual, segundo o seu ponto de vista, é nocivo às crianças. Segundo reportagem publicada na BBC Brasil, a entidade que organizou o manual já faturou mais de US$ 1,5 milhão entre os anos de 2012 e 2013 com a obra. Pearl também declarou que já enviou cópias do livro para os soldados americanos no Iraque e Afeganistão como forma de divulgação.

Método

Para crianças que não obedecem, To train up a child sugere uma régua de 30 cm ou um galho pequeno. Se a criança for mais velha, pode-se usar galhos maiores ou fivela. O livro diz que a ideia da surra é “submeter as crianças a vontade dos pais”.

Em um determinado trecho, o livro é mais específico: “treinar é condicionar a mente da criança antes que surja uma crise; é uma preparação para a obediência futura, instantânea e sem questionamentos”. Mais adiante, o manual diz: “Se você precisar sentar em cima dela para bater nela, não hesite. E segure ela nessa posição até que ela se renda. Derrote-a completamente”.

O livro e as mortes

Lydia Schatz morreu espancada pelos pais, em 2010, no estado da Califórnia. Já Hana Williams faleceu de hipotermia e inanição, após ser aprisionada no jardim de sua casa, no estado de Washington. Os pais de Schatz se declararam culpados e estão presos, e os pais de Williams foram condenados por homicídio. Em ambos os casos a polícia, durante a investigação, encontrou cópias do livro.

Existe ainda um terceiro caso, na Carolina do Norte, onde uma criança foi asfixiada pela mãe. O que choca é que nos três casos foram encontradas semelhanças com as “lições” que o livro ensina. Michael Ramsey, promotor responsável pelo caso de Schatz, declarou que os pais não estão isentos da responsabilidade pela morte da filha, porém, disse que o livrou influenciou negativamente as pessoas.

Os episódios motivaram uma campanha iniciada pelo professor de psicologia da Universidade Metodista de Dallas, George Holden, para que as livrarias retirem o livro de seus catálogos. Na internet, também foi lançado um abaixo assinado que já conta com mais de 200 mil assinaturas, e parece que está surtindo efeito: na Grã-Bretanha, duas livrarias já retiraram o título de seu catálogo, a Waterstones e a Foyles. Por enquanto, a Amazon não retirou e disse que o livro já foi debatido por anos e que está aberta a receber críticas de seus clientes, que podem escrever na página na qual o produto se encontra.


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