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01 de fevereiro de 2017, 16h59

Malala, sobre Trump: “Estou com o coração partido”

A jovem ativista paquistanesa, reconhecida internacionalmente por sua luta pelos direitos humanos, disse estar triste “ao ver que os Estados Unidos viram as costas a uma importante história de acolhimento de refugiados e imigrantes – pessoas que ajudaram a construir seu país”. Presidente norte-americano anunciou medidas para restringir a entrada de imigrantes e refugiados – principalmente muçulmanos e negros – no país

Por Redação

O presidente norte-americano Donald Trump, depois de assinar um decreto que permite a construção de um muro na fronteira com o México, anunciou uma série de medidas que vai restringir a entrada no país de algumas comunidades, em sua maioria muçulmana e negra, que estão fugindo de guerras. O endurecimento das regras para a entrada de imigrantes e refugiados nos Estados Unidos repercutiu internacionalmente, e uma das pessoas a falar sobre o assunto foi a jovem ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que recebeu o prêmio Nobel da Paz em 2014 por conta da sua luta pelos direitos humanos.

“Estou com o coração partido por garotas como a minha amiga Zaynab, que fugiu de guerras em três países – Somália, Iêmen e Egito – antes dos 17 anos. Há dois anos ela recebeu um visto para vir aos Estados Unidos. Ela aprendeu inglês, terminou o ensino médio e agora está na faculdade estudando para ser advogada de direitos humanos”, disse Malala nesta terça-feira (31).

No Brasil, o Instituto da Cultura Árabe (ICARABE) também tratou do tema em uma nota de repúdio ao presidente Trump. Segundo o instituto, as medidas restritivas anunciadas por Trump são graves pois “além de desrespeitar a lei e a constituição de seu próprio país, desrespeita os princípios básicos dos direitos humanos”.

“As medidas adotadas pelo presidente Trump constituem uma afronta a todos os acordos e declarações da ONU, desde o fim da 2ª Guerra Mundia até o presente. É mais grave ainda que o senhor presidente, como representante da maior potência global, ignore a fase crítica que o mundo passa, com suas diversas crises, além da interdependência e interações entre os povos. Tal situação demanda e exige posturas e atitudes justas, democráticas e humanistas de todos os governantes e chefes de Estados”, completaram.

Abaixo, confira a íntegra do pronunciamento de Malala, com tradução de Luka, do Opera Mundi, e depois a íntegra da nota do ICARABE.

Malala

Estou com o coração partido porque hoje o presidente Trump fechou a porta para crianças, mães e pais fugindo da violência e da guerra. Estou triste ao ver que os Estados Unidos viram as costas a uma importante história de acolhimento de refugiados e imigrantes – pessoas que ajudaram a construir seu país, prontos para trabalhar duro em troca de uma oportunidade justa de uma nova vida.

Estou com o coração partido pelas crianças sírias refugiadas, que sofreram seis anos de guerra que não é culpa delas e são alvo de discriminação.

Estou com o coração partido por garotas como a minha amiga Zaynab, que fugiu de guerras em três países – Somália, Iêmen e Egito – antes dos 17 anos. Há dois anos ela recebeu um visto para vir aos Estados Unidos. Ela aprendeu inglês, terminou o ensino médio e agora está na faculdade estudando para ser advogada de direitos humanos.

Zaynab foi separada de sua irmãzinha quando fugiu do Egito. Hoje a sua esperança de se reunir com sua preciosa irmã se ofusca.

Neste momento de incerteza e inquietação em todo o mundo, peço ao presidente Trump que não dê as costas às crianças e famílias mais indefesas do mundo.

 

ICARABE

O Instituto da Cultura Árabe (ICArabe Brasil) lamenta profundamente a atitude precipitada do sr. Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sua ordem executiva, proibindo a entrada no país de cidadãs e cidadãos de origem de sete países de maioria muçulmana, além de aprisionar dezenas em cadeias, sem nenhum crime cometido, é uma atitude extremamente grave. Além de desrespeitar a lei e a constituição de seu próprio país, desrespeita os princípios básicos dos direitos humanos. Bastaria ouvir o repúdio dos tribunais do poder judiciário e os gritos da própria sociedade civil norte-americana, além do repúdio manifestado por vários povos e pelos seus respectivos governantes.

A preocupação do nosso Instituto tornou-se ainda maior devido ao triste atentado de ataque armado à mesquita no Quebec (Canadá). Tal atentado, sem dúvida, foi estimulado – e poderá se repetir – pelas medidas adotadas pelo novo presidente dos EUA. O crime cometido naquele espaço religioso resultou em mortes e feridos em números totalmente incompatíveis com o que nós conhecemos do Canadá em relação a acolher e respeitar os diferentes povos e assegurar a diversidade cultural e religiosa de todos.

As medidas adotadas pelo presidente Trump constituem uma afronta a todos os acordos e declarações da ONU, desde o fim da 2ª Guerra Mundia até o presente. É mais grave ainda que o senhor presidente, como representante da maior potência global, ignore a fase crítica que o mundo passa, com suas diversas crises, além da interdependência e interações entre os povos. Tal situação demanda e exige posturas e atitudes justas, democráticas e humanistas de todos os governantes e chefes de Estados.

Temos a certeza de que a sociedade norte-americana, em sua maioria, não aceita e não pactua com estas medidas, por sua gravidade e pelo significado de retrocesso, abrindo-se as portas à barbárie. Esperamos que esta mesma sociedade saiba lidar com esse momento critico e guie seu governante para o caminho da harmonia entre as comunidades e entre os povos.


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