Mandetta sobre negacionismo de Bolsonaro: “Se eu tivesse adotado aquelas teorias, teria sido carnificina”

O ex-ministro da Saúde disse na CPI da Covid que sempre orientou o seu trabalho com a "cartilha da OMS" e que o presidente tinha outras fontes além do Ministério da Saúde

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, declarou nesta terça-feira (3), durante a CPI da Covid, que todo o seu trabalho à frente do Ministério da Saúde sempre se pautou pela “cartilha da Organização Mundial da Saúde” e que, se tivesse seguido as teorias negacionistas que orientavam o presidente Bolsonaro “teria sido uma carnificina”.

Mandetta também revelou que foi apresentado ao presidente Bolsonaro, no começo da pandemia, três possíveis cenários sobre a pandemia até 31 de dezembro de 2020. Um cenário otimista com 30 a 40 mil mortes; um realista onde se projetava de 80 a 90 mil morte; e um pessimista, onde se trabalhava com a possibilidade de 181 mortes.

“181 mil óbitos para quem, na época, tinha menos de mil, era um número muito difícil de você fazer uma assertiva dessa. E ficou difícil, porque você tinha parlamentares, ex-secretários de saúde que diziam que não teria mais de 2 mil mortes, havia uma construção de pessoas que falavam em absolutamente em contrário. Naquele momento o presidente entendeu que as outras previsões deveriam ser mais apropriadas”, disse Mandetta.

Mandetta voltou a dizer que não falava sozinho e que, em todas as vezes que apresentava o cenário ao presidente, este dava sinal verde e dizia pra “dar seguimento” nas ações, mas que, “dois ou três dias depois ele voltava para aquela situação de quem não havia talvez compreendido, acreditado”.

O ex-ministro também afirmou que, mesmo diante da perspectiva de piora do cenário na pandemia, o presidente nunca recomendou que fossem tomadas ações para que se evitasse a piora de cenário da pandemia.

“Ele tinha, provavelmente, uma outra fonte (de consulta sobre o que fazer na pandemia), do Ministério da Saúde nunca houve orientação que não fosse da cartilha da Organização Mundial da Saúde. Eu torcia muito para aquelas teorias (negacionistas)… Se eu tivesse adotado aquelas teorias teria sido uma carnificina”, disse Mandetta.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).