Manifestantes invadem prédio do Parlamento do Equador e Exército invade rádio independente

"El pueblo unido, jamás será vencido", gritavam indígenas, estudantes e trabalhadores que romperam o cerco e entraram no Congresso

Em sexto dia de protestos incessantes contra as reformas econômicas neoliberais propostas pelo presidente Lenín Moreno, manifestantes do Equador tomaram nesta terça-feira (8) a sede do Parlamento, em Quito, capital do país. Em reação, o governo – que mudou sua sede para Guayaquil –  mandou o Exército invadir a o prédio da rede Pichincha Universal e cortou a transmissão da emissora que tem acompanhado de perto as mobilizações e denunciado a violência de Estado.

Um grupo de manifestantes conseguiu entrar na sede da Assembleia Nacional do Equador. No entorno do prédio, entoaram gritos contra o presidente Lenín Moreno, que decretou estado de exceção no país após uma colossal mobilização popular tomar as ruas do país contra o ajuste proposto pelo mandatário. Uma grande marcha indígena se encaminhou até a capital Quito, o que fez o presidente mudar a sede do governo para Guayaquil, que já registra grandes protestos.

Com apoio de países aliados (Brasil, Argentina, Colombia, El Salvador, Guatemala, Paraguai e Peru), que dizem que os protestos são comandados pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, o presidente do Equador afirma que não pretende recuar em seus planos. Sua queda, no entanto, parece cada dia mais eminente.

A rádio Pichincha Universal, que tem acompanhado de perto os protestos e reportado o que tem acontecido durante as manifestações, foi surpreendida na tarde desta terça-feira com um grupo de oficiais notificando que a emissora cometeu um delito de “incitação à discórdia entre cidadãos”. “Solicito que nos ajudem porque não quero ocasionar destroços, não quero cortar transmissões, então peço que colaborem”, disse um oficial aos jornalistas da Pichincha.

“Não vamos deixar de cumprir com nosso trabalho”, declarou um radialista ao vivo durante a tentativa de invasão e confisco de materiais, que foi detida após uma grande aglomeração na sede da emissora que cobrava explicações das autoridades.

Assista ao vídeo dos manifestantes:

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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