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06 de maio de 2015, 09h42

Maternidade e racismo: a exclusão das mães negras

“Mãe é sagrada” é o que dizem as mensagens do segundo domingo de Maio – mas parece que algumas mães são mais sagradas do que outras. Todos os indicativos sociais apontam que as mães negras morrem e sofrem muito mais. Para as mulheres negras, passar mais tempo nas filas dos hospitais e ter seu lugar repassado para uma mulher branca, por motivações racistas, é realidade recorrente.

O mito de que a mulher negra é “mais forte” ou “mais resistente a dor” é a máxima do racismo brasileiro, plantado ainda no período da escravidão no Brasil e que até hoje permanece naturalizado. Por isso, as mulheres supostamente “mais frágeis”, as brancas, passam na frente e recebem o atendimento pelo qual a mulher negra esperou ou precisava mais. Não é por acaso que pelo menos 60% dos casos de mortalidade materna é de mulheres negras.

São muitos os relatos de mães negras que recebem atendimento grosseiro e negligente devido a sua cor. Os dados divulgados pela campanha SUS Sem Racismo também mostram que as mães negras têm menos acesso a informações sobre amamentação e menos consultas de pré-natal. Para piorar a situação, as crianças negras fazem parte do grupo com maior índice de mortalidade infantil.

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Como se não bastasse a violência obstétrica com demarcação racista, o contexto social das mães negras também é muito assustador. É preciso lembrar que as mulheres negras são maioria dentro do grupo de trabalhadoras domésticas, ou seja, mulheres que cuidam das casas e dos filhos dos outros para conseguirem sustentar a própria família. Na prática, os filhos e as casas dessas mulheres ficam sem assistência, sem creches, sem alternativas além da jornada tripla que desempenharão, pois quando retornam à noite para o próprio lar, ainda precisam cuidar da limpeza, dos alimentos e das próprias crianças.

A violência policial também é um problema muito específico das mães negras – tantos os seus filhos e familiares, quanto elas próprias estão na mira do racismo armado. O movimento Mães de Maio existe por esse motivo: para denunciar o assassinato de seus filhos e pautar o problema em sociedade, cobrando soluções. A esposa de Amarildo, Elizabeth Gomes da Silva, e Cláudia da Silva Ferreira são apenas dois exemplos de mães negras que foram diretamente vitimadas nesse contexto social.

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O fato é que as mães negras passam por situações que as mães brancas nem sequer precisam se preocupar, como a discriminação racial sofrida pelos filhos. O quadro social dessas mulheres é urgente e muito grave, mas suas questões ainda não são lembradas como deveriam e nem mesmo os movimentos sociais aprofundam o debate. Por racismo e por machismo, as mulheres negras e suas demandas não entram em pauta.

É necessário falar de maternidade e racismo com foco específico. Há problemas que envolvem mães negras e que não envolvem mães brancas, assim como há também os problemas que atingem todas as mães, mas são ainda mais intensos para as negras. Essa realidade é inegável e demanda atenção imediata. Precisamos romper o clichê de que maternidade “não tem cor”, porque a cor no Brasil sempre foi e continua sendo motivo de escárnio, discriminação e violência.

 

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Foto de capa: Reprodução / Facebook


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