Fórumcast #19
14 de novembro de 2016, 11h44

Me-ni-na: entenda como palavras “comuns” oprimem mulheres lésbicas”

1. criança ou adolescente do sexo feminino; 2. moça jovem e solteira do sexo feminino; 3. tratamento carinhoso que se dá às pessoas do sexo feminino, mesmo quando adultas.

1. criança ou adolescente do sexo feminino; 2. moça jovem e solteira do sexo feminino; 3. tratamento carinhoso que se dá às pessoas do sexo feminino, mesmo quando adultas.

Por Mariana Gonzalez

“É menina”. Com uma única palavra – três sílabas, seis letras -, um homem de jaleco branco me entregou à submissão de todos os homens do mundo. Ao designar-me menina, designou-me inferior. Me deram um nome e passaram a me chamar no feminino – quando não no diminutivo. Como um leque, a afirmação “é menina” foi aberta e me expôs a uma série de advertências. “Não discuta”. “Abaixe o tom”. “Feche as pernas”. “Ajude sua mãe”. “Passe batom”. “Tire o batom”.

Linguagem é sentença.

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“É menina”. E entenderam que eu seria submissa a um deles. Romper as expectativas impostas pela linguagem é o mesmo que abrir mão de usá-la – afinal, não me serve mais. Ao reivindicar a palavra “lésbica”, disseram que seria melhor usar o termo “gay”, que foi inventado por homens e para homens. A palavra “sapatão” parece estar bem, mas é proferida como ofensa na boca dos que não o são. “Maria macho” não sou, pois não sou Maria e muito menos macho. “Caminhoneira” também não soa eficaz, uma vez que mal sou capaz de guiar uma bicicleta. Para “fancha”, eles sequer tiveram o trabalho de atribuir um um significado claro no dicionário.

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Linguagem é privilégio.

Peço licença para – enquanto menina que fui e mulher que sou – atribuir um novo significado à linguagem.

1.código verbal e não verbal criado por homens para facilitar a comunicação com outros homens; 2. ferramenta de comunicação negada às mulheres; 3. mecanismo de silenciamento que pode ter como alvo a comunicação das mulheres de forma verbal ou não verbal.


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