terça-feira, 27 out 2020
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Mídia é conivente com a construção do negro no lugar subalterno, diz Silvio Almeida

Convidado do programa Roda Viva desta segunda-feira (23), o professor, jurista e filósofo Silvio Almeida apontou a responsabilidade dos meios de comunicação no racismo no Brasil. No programa da TV Cultura, ele debateu a onda de protestos antirrascistas no mundo e disse que a meritocracia não tem lugar em uma sociedade profundamente desigual como a brasileira.

“Os meios de comunicação são absolutamente coniventes com a construção do imaginário social do negro nesse lugar subalterno”, disse Almeida, ao ser perguntado sobre o tema. “Não existiria a possibilidade de você ter um racismo estrutural e sistêmico se não houvesse, dioturnamente, reprodução nos meios de comunicação de esteriótipos de pessoas negras, se não houvesse programas de televisão que naturalizam toda hora o assassinato, a morte, a condição do negro como bandido”, completou.

Autor de obras sobre filosofia, racismo e consciência de classe — entre elas, “Racismo Estrutural” –, Almeida discutiu a onda de protestos antirracistas que varre diversos países, desde o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos, por um policial branco.

Para o professor, os protestos são uma resposta a “tempestade perfeita”. “O racismo é algo que se não tratado compromete justamente tudo aquilo que nós devemos lutar, que é democracia, desenvolvimento econômico. (…) O racismo é algo que se infiltra na vida social”, disse.

Questionado sobre meritocracia, o professor respondeu considerar que não há espaço para o sistema no Brasil.

“Quando você está falando de uma sociedade profundamente desigual, como você vai medir meritocracia? […] Como a gente pode falar de meritocracia num país que mata um menino de 14 anos que só queria estudar, dentro de casa?”, afirmou.

Ricardo Ribeiro
Ricardo Ribeiro
Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.