#Fórumcast, o podcast da Fórum
08 de agosto de 2019, 14h33

Miguel Reale Jr.: Bolsonaro caminha para “processo paranoico perigoso” ao exaltar Ustra

"Consagrar um torturador, assim reconhecido pelo Judiciário, como herói nacional é legitimar a tortura", disse o advogado, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff

Miguel Reale Jr. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O advogado Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment que resultou no golpe de Dilma Rousseff, disse nesta quinta-feira (8) que o presidente Jair Bolsonaro “dá um tapa na cara da civilização” ao citar o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra como “herói nacional”. Ustra foi um dos principais símbolos de repressão e tortura da ditadura militar e primeiro oficial condenado na Justiça brasileira por sequestro e tortura durante o regime.

Inscreva-se no nosso Canal do YouTube, ative o sininho e passe a assistir ao nosso conteúdo exclusivo

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Reale disse estar indignado com a fala do presidente. “Como ex-presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, e tendo sabido o que se passou no Doi-Codi, [me] causa a maior indignação. [É] um tapa na cara da civilização”. Reale ainda avalia que presidente caminha para um “processo paranoico perigoso” por sentir-se “todo poderoso para fazer e dizer o que bem entende”.

O advogado também alega ser “flagrante falta de decoro” o presidente homenagear Ustra, além de configurar incitação a um crime gravíssimo, já que a Constituição considera a tortura crime imprescritível.  “Consagrar um torturador, assim reconhecido pelo Judiciário, como herói nacional é legitimar a tortura”, completa.

Homenagem de Bolsonaro ao coronel Ustra se deu no mesmo dia em que ele recebe a viúva do militar, Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra, para um almoço no Palácio do Planalto. Questionado sobre o motivo da agenda com Maria Joseíta, Bolsonaro disse que ela foi a revisora do livro de Ustra e que está cheia de histórias para contar sobre as mulheres presas durante a ditadura militar (1964-1985).

“Ela conta uma história bem diferente daquela que a esquerda contou para vocês. Tem um coração enorme. Eu sou apaixonado por ela”, alegou Bolsonaro, que já havia mencionado em outras entrevistas que a obra “Verdade Sufocada”, escrita por Ustra, é seu livro de cabeceira.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum