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25 de janeiro de 2020, 12h48

Milícia é exposta via Disque Denúncias e gera um relato a cada 69 minutos

Milícia, que já esteve em guerra com o tráfico, hoje lucra com a venda de drogas

Dois milicianos foram presos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro com recibos usados para extorquir moradores em um conjunto habitacional na zona oeste da cidade. Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, criminosos que tinham o apoio de PMs na ativa foram impedidos por agentes de segurança de perfurar uma tubulação da Petrobras.

Casos de 2019 envolvendo as milícias do Rio só vieram à tona graças a informações anônimas repassadas pelo Disque Denúncia, entidade privada sem fins lucrativos que atende a população via telefone.

O UOL, que solicitou o levantamento da entidade,  aponta o aumento de denúncias envolvendo a conexão entre o tráfico e as milícias. Houve também diminuição nas denúncias que relacionam os paramilitares aos jogos de azar.
Os casos de extorsão lideram, seguidos por posse de arma e homicídios, que tiveram um aumento em número de denúncias em relação ao ano anterior.

Os dados refletem a aproximação entre a maior milícia do país e o tráfico nos últimos anos — laço intensificado com a chegada de ex-traficantes ao primeiro escalão da milícia. Ou seja, o  relacionamento entre a milícia e o tráfico está mais próximo hoje.  Com base nas denúncias, dá até para estudar como eles fazem a divisão de tarefas
.

“As milícias atuam no tráfico com franquias. Os traficantes vendem drogas e repassam parte dos seus lucros para a milícia, em troca de proteção. Os moradores passam a viver em um estado de narcomilícia”, disse Luiz Antonio Ayres, promotor que atua em processos contra a milícia desde o surgimento dos grupos paramilitares no Rio, registrado a partir de 2005.

Com 7.601 relatos a respeito da milícia em 2019, a média registrada foi de uma informação sobre atividades paramilitares no Rio de Janeiro a cada 69 minutos no ano passado.

O consultor Vinicius Cavalcante, diretor da Associação Brasileira dos Profissionais de Segurança, acredita que o aumento nas denúncias está diretamente relacionado ao anonimato garantido pelo órgão.
Infelizmente, a milícia se infiltrou nas forças de segurança. Por isso, as pessoas temem buscar as autoridades para registrar uma ocorrência e preferem fazer denúncias anônimas.

Em meio a esse cenário, cresce a importância de denúncias sobre a autoria de assassinatos. Informações sobre milicianos foragidos também são determinantes para ajudar na localização de suspeitos.

“Produzimos cartazes com informações sobre foragidos. Isso estimula a população a identificar e a passar informações”, declara  Zeca Borges, coordenador do Disque Denúncia.

Devido denúncia anônima repassada em fevereiro de 2019, agentes da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), da Polícia Civil, encontraram e prenderam o miliciano Carlos Geovane Brito de Oliveira em Campo Grande, zona oeste do Rio, lar da maior milícia do país, “A Firma”, antes batizada de “Liga da Justiça”.
Em outubro, outra informação ajudou a polícia a localizar Leonardo Pereira de Oliveira, o Léo Milícia, encontrado no Anil, também na zona oeste carioca.

 


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