Milícia virtual bolsonarista ataca Maju Coutinho em nova ação contra o isolamento social

O deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que a jornalista "debochou das pessoas que passam fome"; fala da apresentadora foi editada para dar outro sentido

A jornalista Maju Coutinho, que apresenta o Jornal Hoje na Rede Globo, ao comentar sobre a eficácia do lockdown para controlar o avanço do coronavírus afirmou que o “choro é livre” para aqueles que são contrários. A milícia digital de extrema direita não perdeu tempo, editou a fala de Coutinho e voltou a atacar a profissional.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (sem partido) classificou a jornalista como arrogante por defender o lockdown.

Rodrigo Constantino afirmou que “ninguém aguenta mais essa hipocrisia”.

A deputada federal Carla Zambeli (PSL-SP) também entrou na onda de ataques à jornalista.

Outro que distorceu a declaração da jornalista foi o deputado federal e bolsonarista Carlos Jordy (PSL-RJ).

Na edição do dia 16, a jornalista Maju Coutinho, ao comentar sobre a política de lockdown afirmou que todos os especialistas comprovam a eficácia da política e que o “choro é livre” para quem é contra e, na sequência ela cobrou uma política de assistência por parte dos governos. Porém, a segunda parte da declaração da jornalista foi retirada do vídeo que circula pelas redes.

“Desejo também agilidade do governo e do Congresso para atender os empresários e também as famílias que estão aguardando auxílio emergencial”, disse Maju Coutinho.

Essa não é primeira vez que Maju Coutinho se torna alvo da milícia bolsonarista. Em agosto de 2020, a jornalista se tornou alvo do presidente Bolsonaro (sem partido) depois que destacou o fato de que o governo ainda não tinha se solidarizado com as vítimas da Covid-19.

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Bolsonaro, ao responder o comentário de Maju Coutinho, afirmou que a “Globo, como sempre, mentindo a meu respeito”. Coutinho respondeu ao presidente e reafirmou que nenhum integrante do governo Federal tinha prestado homenagem às vítimas da pandemia durante um evento sobre a Covid-19.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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