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06 de agosto de 2019, 10h28

Militar, deputado do PSL é investigado por rachadinha após seis meses de mandato

Coronel da Polícia Militar aposentado, o deputado Paulo Nishikawa estaria recolhendo metade dos salários de seus assessores e repassando o dinheiro para parentes. O caso é semelhante ao comandado por Fabrício Queiroz no gabinete de Flávio Bolsonaro

Coronel Nishikawa. (Foto: Alesp)

Deputado estadual de São Paulo pelo PSL, o coronel da Polícia Militar aposentado Paulo Nishikawa é investigado pelo Ministério Público por um suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro em seu gabinete na Assembleia Legislativa de SP (Alesp). O deputado estaria recolhendo metade dos salários de seus assessores e repassando o dinheiro para parentes. A prática é conhecida como “rachadinha” ou “pedágio”.

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De acordo com uma denúncia anônima encaminhada ao Ministério Público, os salários seriam arrecadados pelo assessor David Monteiro de Mello e depositados nas contas bancárias dos filhos de Nishikawa e da tia de uma sobrinha adotiva dele. Ainda, o esquema seria coordenado pelo chefe de gabinete Walter Resende Filho, presidente do PSL em São Bernardo do Campo, cidade da Grande São Paulo onde mora Nishikawa.

Segundo os registros oficiais da Alesp, Resende recebe salário bruto mensal de R$ 17,9 mil como assessor especial, enquanto Mello ganha R$ 6,5 mil por mês como auxiliar parlamentar. Já Nishikawa recebe R$ 25,3 mil como deputado e R$ 24 mil de aposentadoria. No entanto, nas eleições de 2018, declarou patrimônio de apenas R$ 28,3 mil, incluindo uma casa e um jazigo em São Bernardo.

O caso é semelhante ao que ocorreu com o filho de Jair Bolsonaro, o senador Flavio Bolsonaro. O Ministério Público do Rio iniciou uma investigação no gabinete de Flavio na Assembleia Fluminense (Alerj) depois de detectar uma movimentação de 1,2 milhão nas contas bancárias de seu ex-assessor Fabrício Queiroz. No entanto, as investigações foram suspensas depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, acolheu o pedido da defesa do filho do presidente para que suspendesse todas as investigações criminais que receberam dados do Coaf sem prévia autorização judicial.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, Nishikawa negou ter arrecadado os salários de seus assessores e diz que irá mostrar na Justiça seus extratos bancários, assim como os de seus funcionários, para provar sua inocência.

 


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