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31 de janeiro de 2015, 14h20

Ministério Público denuncia militares por crimes na Guerrilha do Araguaia

Lício Ribeiro Maciel, o Major Asdrúbal, e Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o Major Curió, foram denunciados por homicídio e ocultação de cadáver; os procuradores pedem o cancelamento das aposentadorias dos militares e o pagamento de danos às famílias das vítimas.

Lício Ribeiro Maciel, o Major Asdrúbal, e Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o Major Curió, foram denunciados por homicídio e ocultação de cadáver; os procuradores pedem o cancelamento das aposentadorias dos militares e o pagamento de danos às famílias das vítimas

Por Redação

Na última quinta-feira (29), o Ministério Público do Pará denunciou dois oficiais da reserva por homicídio qualificado e ocultação de cadáver durante a Guerrilha do Araguaia. Lício Ribeiro Maciel, de 84 anos, conhecido como Major Asdrúbal, foi acusado de ter cometido três homicídios e ocultação de cadáver. Já Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o Major Curió, de 76 anos, foi denunciado por ocultação de cadáver.

A Guerrilha do Araguaia ocorreu entre os estados do Pará, Maranhão e Tocantins a partir do final dos anos 1960, às margens do rio Araguaia, reunindo militantes do Partido Comunista do Brasil (PC do B), que faziam forte oposição ao regime militar. A tentativa de organizar uma luta armada no local foi reprimida com extrema violência. Entre 1972 e 1975, cerca de 70 destes militantes foram mortos e seus corpos permanecem desaparecidos. Até o momento, somente dois foram identificados.

“Tais condutas, muito além de medidas destinadas e a restabelecer a paz nacional, consistiram em atos autoritários e criminosos perpetrados por um grupo que visava eliminar, valendo-se do aparato repressivo do Estado, todos os dissidentes políticos instalados na região, afirmou a denúncia do Ministério Público.

Os procuradores pedem o cancelamento das aposentadorias dos militares e o pagamento de danos às famílias das vítimas. A Justiça ainda não acatou a denúncia. Para os denunciados virarem réus, depende ainda da decisão do juiz responsável pelo caso. Advogados de defesa dos militares argumentam que a Lei da Anistia já havia extinguido a punibilidade de agentes do Estado por crimes cometidos durante a ditadura e classificam a nova acusação como “estapafúrdia”.

Foto de capa: Wikipedia


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