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18 de novembro de 2013, 12h21

Miruna Genoino: “Meu pai está num regime fechado, uma ilegalidade”

Joaquim Barbosa assumiu o risco. Será que o presidente do STF vai completar o que a ditadura começou?

Joaquim Barbosa assumiu o risco. Será que o presidente do STF vai completar o que a ditadura começou?

Por Conceição Lemes, no Viomundo

José Genoino (Foto: José Cruz/ABr)

O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), sabe muito bem que a saúde de José Genoino é bastante frágil.

No final de julho, o ex-presidente do PT teve dissecção da aorta —  problema gravíssimo, frequentemente fatal — e acidental vascular cerebral (AVC). Quase morreu.

Mesmo assim, apenas para fazer cena para a mídia, Barbosa determinou a ida de Genoino e demais  réus do mensalão, já presos, para Brasília.

Genoino passou mal durante o voo. Teve palpitações e dores no peito. O médico Daniel França Vasconcelos, designado pela família  para acompanhar Genoino em Brasília,  disse no seu relatório que os sintomas  durante a viagem “podem estar relacionados às oscilações da pressão atmosférica dentro do aeronave”.

Joaquim Barbosa assumiu o risco. Será que o presidente do STF vai completar o que a ditadura começou?

Conversei na noite deste domingo com Miruna Genoino, filha de Genoino. Preocupada com a saúde do pai, ela deixou os filhos pequenos em São Paulo e foi para Brasília junto com a mãe para acompanhar tudo de perto.

Viomundo – Como o Genoino está? 

A gente não está com acesso a ele. A gente tem notícias por outras pessoas. O doutor Daniel França Vasconcelos, que recebeu autorização da família para entrar no presídio, diz que meu pai está está estável, mas  ele teme que a coagulação dele se altere de forma grave.

Viomundo — Ele já teve acesso a advogado?

Só nesse domingo.

Viomundo — E a médico?

Com muito custo nós conseguimos, quando já era quase 2 horas da manhã de domingo, que o meu pai tivesse acesso a um médico da família.

Viomundo — A saúde dele exige cuidados especiais com a alimentação. O que ele comeu sexta e sábado?

No dia em que foi preso, ele almoçou com a gente. Depois que foi preso, na sexta-feira, a gente só pode mandar sanduíche frio. E a informação que temos é que até o momento a dieta dele não está sendo cumprida. No sábado, no almoço, ele comeu misto quente e coxinha e, à noite, pizza.

Viomundo — Como é a dieta dele?

Ele tem que ter um controle de sal e gordura. Ele não pode comer alimentos que tenham esses elementos em excesso. O médico prescreveu isso.

Viomundo –  Antes de o Genoino viajar para Brasília, vocês consultaram o médico dele [o cardiologista Roberto Kalil Filho, do Sírio-Libanês, faz o acompanhamento clínico] sobre se ele poderia andar ou não de avião?

A gente prefere não falar. O que a gente pode dizer é que a família está nomeando aqui em Brasília para fazer o acompanhamento da parte cardíaca do meu pai o médico Daniel França Vasconcelos. É o medico que fez este relatório [está abaixo] para o pedido de prisão domiciliar.

Viomundo — Com esta prisão, o ministro Joaquim Barbosa pode completar o serviço que a ditadura começou?  

Eu não sou política e não saberia fazer essa análise política.  O que eu posso dizer – e isto ouvi da boca do advogado do meu pai – é que não tem precedente no sistema judiciário brasileiro o que o meu pai está vivendo.

O Joaquim Barbosa se preocupou só em prender o meu pai e não se preocupou com a mínima estrutura para uma pessoa com problemas de saúde  que ele tem. O sistema penitenciário de Brasília não recebeu a instrução de que ele teria de ir para o semiaberto. O Joaquim Barbosa não colocou no papel o regime de prisão. No mandado, saiu só como prisão, não sai o regime  dela.  A pena e o regime que essa  pena tem de ser cumprida não estão registrados.

Nesse momento, o meu pai está num regime fechado, com grades e tudo.  Meu pai está numa situação de ilegalidade. Ele está numa situação de violação de direitos humanos.

Viomundo — O que gostaria de acrescentar?

O que eu minha mãe e meus irmãos estamos fazendo do lado de fora é o que o meu pai não pode fazer do lado de dentro: denunciar a situação em que está vivendo.  Ele não pode ficar num regime fechado, ele precisa de atendimento médico.


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