A montanha pariu um rato: manifestação em Brasília é um fiasco

Mesmo com toda a parafernália da organização e as intimidações das últimas semanas, imagens da capital federal mostram volume constrangedor de apoiadores e mais do mesmo: radicalismo inócuo

Os atos de caráter golpista convocados pelo presidente Jair Bolsonaro há semanas, em relação aos quais se criou uma enorme expectativa, e que geraram uma atmosfera de temeridade, foram um fiasco. As imagens de Brasília, onde a manifestação já está terminando, inclusive com a saída do presidente do local, mostram um contingente relativamente comum de participantes e muito abaixo daquilo que o Planalto esperava.

As cenas captadas por helicópteros e drones mostram que os bolsonaristas ocuparam uma área um pouco menor do que a frontaria de três ministérios, na Esplanada. Outras manifestações políticas na capital federal, em anos diferentes, reuniram muito mais pessoas.

No Rio de Janeiro, antiga capital da República e segunda maior cidade do país, uma praia de Copacabana com um grande número de pessoas em duas pistas da avenida da orla, se estendendo por uns pares de quadras, não são muito diferentes das habituais aglomerações reacionárias que nos últimos anos ocorrem periodicamente no local.

Nas redes sociais, com um extremismo mais inflamado que de costume, os apoiadores de Bolsonaro promovem um frenesi e ocupam o espaço cibernético com suas postagens, ainda que seja de conhecimento público que boa parte desse engajamento é promovida por robôs. Proliferam-se informações como “500 mil pessoas em Brasília”, e até delirantes “um milhão de patriotas”, mas especialistas em contagem de público afirmam nos últimos minutos que o contingente na Esplanada dos Ministérios ficou entre 30 mil e 50 mil pessoas.

O jornal Valor Econômico chegou a informar que a adesão ao “protesto” em Brasília teria fica em torno de 5% do previsto. A preocupação com a baixa presença de apoiadores em relação à expectativa fez inclusive Eduardo Bolsonaro, filho 03 do presidente, publicar uma foto antiga, de uma manifestação de 2013.

Aparentemente, o presidente sentiu o baque. Ainda que com novas ameaças, o habitual tom vociferante de Bolsonaro foi substituído por uma fala mais pausada. O fato pode não significar muita coisa, mas era perceptível seu ar de decepção, mesmo tentando insuflar os ânimos dos presentes.

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.

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