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11 de janeiro de 2014, 11h49

Morre ex-primeiro-ministro israelense Ariel Sharon

Ele era forte defensor da colonização dos territórios em conflito com os palestinos. No entanto, tomou a polêmica decisão de retirar os israelenses da Faixa de Gaza

Ele era forte defensor da colonização dos territórios em conflito com os palestinos. No entanto, tomou a polêmica decisão de retirar os israelenses da Faixa de Gaza

Por Mariana Jungmann*, da Agência Brasil

Depois de oito anos em coma, morreu hoje (11), em Tel Aviv, o ex-primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon. A informação foi confirmada pelo gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Sharon estava em estado vegetativo desde que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), em 2006, e teve falência múltipla dos órgãos. Os médicos informaram à imprensa, desde o início de janeiro, que as possibilidades de recuperação do ex-premiê eram mínimas e que seu estado era crítico.

Quando entrou em coma permanente, Sharon exercia o cargo de primeiro-ministro, que assumiu em março de 2001, sendo substituído por Ehud Omert. Ele morreu aos 85 anos, e a imprensa israelense já havia divulgado que Sharon sofria de insuficiência renal.

De formação militar, Ariel Sharon comandou as tropas israelenses em diversos combates, especialmente contra alvos palestinos. Foi ministro da Defesa na década de 1980, quando comandou a invasão de Beirute, capital libanesa. Entretanto, foi obrigado a deixar o cargo depois de ter sido responsabilizado pela morte de centenas de palestinos em um campo de refugiados controlado por Israel.

Apesar disso, Ariel Sharon voltou a assumir o comando de outros ministérios em diversos governos até se eleger primeiro-ministro pelo partido conservador Likud, que ele próprio ajudou a fundar na década de 1970. O ex-primeiro-ministro era forte defensor da colonização dos territórios em conflito com os palestinos. No entanto, em uma tentativa de amenizar os conflitos com os palestinos, principalmente com os radicais do Ramas e do Fatah, tomou a polêmica decisão de retirar os israelenses da Faixa de Gaza e abandonar assentamentos judeus na região.

O plano de retirada israelense encabeçado por Sharon foi motivo de duras críticas internas e provocou rachas no Likud. O ex-primeiro-ministro era acusado de ter dividido o país. No mesmo ano – 2005 – em que o plano começou a ser executado, o então ministro de Finanças, Benjamin Netanyahu, apresentou candidatura própria à presidência do partido e pediu o adiantamento das eleições primárias que ocorreriam em 2006. No entanto, Sharon venceu as eleições novamente e se manteve no cargo.

Ao fim daquele ano ele sofreu o primeiro derrame, mais leve e com sequelas menos graves. Poucos meses depois, um segundo AVC provocou o coma permanente que durou quase oito anos. Ariel Sharon ficou viúvo duas vezes e teve três filhos, um com a primeira esposa, morto quando ainda era criança, e os outros dois com a segunda.

* Com informações da Agência Lusa


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