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17 de fevereiro de 2020, 10h20

Morre Ieda Akselrud Seixas, militante torturada e abusada sexualmente pela ditadura

Ieda denunciou continuamente o assassinato de seu pai e as violências sofridas por sua família, inclusive perante a Comissão Nacional da Verdade

Morreu nesta madrugada, depois de uma longa batalha contra o câncer, a militante Ieda Akselrud Seixas.

Ieda foi presa quando ainda era muito jovem, com seu pai, Joaquim Alencar de Seixas, sua mãe, Fanny Akselrud de Seixas e irmãos Iara e Ivan Seixas, em 1971.

Ela sofreu violência sexual dentro da OBAN (DOI-CODI-São Paulo). Na época, o local era comandado pelo delegado de polícia, Davi dos Santos Araújo, conhecido como Capitão Lisboa.

Ieda denunciou continuamente o assassinato de seu pai e as violências sofridas por sua família, inclusive perante a Comissão Nacional da Verdade.

Em 2012, o torturador David dos Santos Araújo foi publicamente escrachado pelo Levante Popular da Juventude.

“Não era pau de arara, não era choque e não era cadeira do dragão”

O trecho abaixo foi extraído do seu depoimento, em 1971. Ieda, assim como diversas mulheres e homens, relata que demorou algum tempo para entender que o estupro que sofreu era também parte do método de tortura dos militares.

“Eu estava ali estava vulnerável, completamente vulnerável. Aí o cara entrou com a mão dentro da minha roupa e aí, bom, como qualquer outro abuso sexual, eu não vou ficar descrevendo detalhes, mas foi isso que aconteceu. A mão dele passou por tudo e não sei o quê. Ele dizia assim: ‘Não, ela vai gozar, comigo ela vai gozar e ela vai falar’. Eu entrei num pânico tão grande que eu dizia assim: ‘Me bota no pau de arara’. Olha se isso é coisa de gente normal.”

 “Mas eu levei muito tempo para me tocar que aquilo era abuso sexual, sabe por quê? Eu minimizava aquele episódio porque, afinal, não era pau de arara, não era choque e não era cadeira do dragão. É muito louco isso! É muito louco,” contou.


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