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08 de fevereiro de 2012, 19h14

Movimento negro organiza manifestação por conta do Caso Januário

Cinquenta entidades do Movimento Negro de S. Paulo se reúnem nesta terça-feira (25/08), às 18h, na sede do Coletivo de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros (Ceabre)na Av. S. João, para marcar a data de um grande ato em protesto à violência racista que atingiu o funcionário da USP e técnico em eletrônica, Januário Alves de Santana, espancado barbaramente por seguranças, em um quartinho do Carrefour de Osasco, "suspeito" de roubar o próprio carro.

O ato deverá ser realizado em frente à sede do Carrefour, no bairro do Morumbi, zona sul de S. Paulo. Segundo Julião Vieira, coordenador de Educação e Formação Política da União de Negros pela Igualdade – entidade que reúne ativistas próximos ou ligados ao PC do B – a ideia é fazer uma grande manifestação unitária – independente de partidos – para expressar o repúdio, não apenas da população negra, mas da sociedade, aos repetidos atos de violência e desrespeito aos direitos humanos que vem sendo praticados por seguranças do hipermercado.

Um repúdio à violência
Para tentar amenizar o desgaste sofrido com o Caso Januário, a empresa anunciou na semana passada a exoneração da gerência de Osasco e o rompimento do contrato com a Empresa Nacional de Segurança Ltda.

Na reunião desta terça, também participarão representantes da Conen, Coordenação Nacional de Entidades Negras – composta por ativistas ligados ou próximos ao PT – do Círculo Palmarino, formado por ativistas do PSOL e lideranças independentes, não necessariamente ligadas a partidos.

Também deverão estar presentes representantes dos deputados Vicente Cândido, respectivamente, responsável pelo SOS Racismo da Assembléia Legislativa e coordenador da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial de S. Paulo. No sábado, ativistas da Frente 3 de Fevereiro fizeram protesto em frente a loja do hipermercado, em Osasco.

Segundo Julião, a proposta é combinar a realização de um grande ato em São Paulo, com um dia de manifestações em todo o país. “Vamos propor as entidades nacionais que, em determinado dia a ser marcado, em todo o país, os negros convoquem a população para protestos em frente a lojas desse hipermercado”, afirmou.

Audiência Pública

Também na Câmara Municipal de S. Paulo, o vereador Jamil Murad, do PC do B, apresentará uma moção de repúdio na sessão desta terça-feira, pela violência praticada por seguranças contra Januário Alves de Santana.

Jamil deverá propor a Comissão de Direitos Humanos da Câmara a realização de uma Audiência Pública, em que deverão ser convidados, o presidente da Rede Carrefour no Brasil, o Grupo Especial de Inclusão Social, do Ministério Público de S. Paulo, o próprio Santana, a Comissão de Direitos Humanos da Cidade de S. Paulo.

Depoimento

Por outro lado, o depoimento inicialmente previsto para esta terça-feira, às 15h, no 9º DP de Osasco, foi adiado. Os advogados Dojival Vieira e Silvio Luiz de Almeida optaram por fazer a representação por escrito e anunciaram que, apesar de está bastante fragilizado e ainda com fortes dores no rosto, Santana está à disposição da delegada Rosângela Máximo da Silva, que preside o inquérito.

Eles o orientaram a buscar atendimento médico e psicológico por causa das dores no rosto – a parte mais atingida na sessão de espancamentos em que teve a prótese dentária arracanda a socos – e também porque não tem conseguido dormir. “Ele permanece em claro à noite e tem pesadelos”, contou a mulher Maria dos Remédios.

Numa entrevista ontem ao vivo, no Programa Manhã Maior, da Rede TV, Santana contou que, tem passado às noites em claro e perdeu peso.

Por Afropress.

Foto reprodução.


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