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06 de junho de 2007, 22h18

MST vai ao 5º Congresso contra três monoculturas

José Batista, da coordenação nacional do MST, em entrevista a Fórum, fala das expectativas para o o 5º Congresso do movimento. Para ele, o agronegócio da cana-de-açúcar, da soja e do eucalipto são a nova roupagem do latifúndio.

De 11 a 18 de junho, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza seu 5º Congresso. José Batista, da coordenação nacional do MST, em entrevista a Fórum, fala das expectativas para o evento, bem como o histórico dos congressos. Para ele, o agronegócio da cana-de-açúcar, da soja e do eucalipto são a nova roupagem do latifúndio. Ele avalia ainda que há uma disputa de espaço se iniciando entre essas práticas e as áreas de assentamento.

Confira a íntegra

FÓRUM- Qual a perspectiva para o 5º congresso?

JOSÉ BATISTA DE OLIVEIRA – Desde o ano passado estamos debatendo junto a nossa base os desafios da reforma agrária. A atualidade do tema e qual o caráter da reforma agrária que estamos querendo. No Brasil, estão em jogo dois modelos. De um lado, o da reforma agrária para gerar empregos, da produção de alimentos para resolver o problema do povo brasileiro. Do outro, está o velho latifúndio, com uma nova roupagem, que é o modelo do agronegócio e das grandes multinacionais e transnacionais controlando a produção. Podemos facilmente citar três monoculturas que se aprofundam no Brasil: a cana, com a perspectiva do capital internacional de resolver um problema de outras economias, a soja, destruindo o Cerrado e a Amazônia brasileira, e o eucalipto, que leva nosso solo ao total esgotamento. Vamos debater qual é o desafio de nossa luta, da sociedade brasileira.

FÓRUM – Analisando as outras quatro edições, que papel tem o evento?

JOSÉ BATISTA – Os congressos do MST têm um papel para a construção do movimento. Como se fosse a instância máxima do movimento, nos encontramos para avaliar, estudar e confraternizar o momento que estamos vivendo e para projetar ou re-projetar o movimento para os próximos períodos. No caso, eles acontecem a cada cinco anos. Esta edição esta acontecendo um pouco depois, porque realizamos uma grande atividade em 2005, a marcha do MST a Brasília, a maior marcha da história do movimento.

FÓRUM – Qual o histórico dos congressos do MST?

JOSÉ BATISTA– O 1º congresso aconteceu em 1985. Naquela ocasião nossos desafios eram colocar a reforma agrária na agenda do país, consolidar a organização do MST, nacionalmente, buscar a unidade dos camponeses e das lutas isoladas pelo país, definir e implementar uma forma de luta contra os latifúndios. A palavra de ordem escolhida para o primeiro Congresso foi “Sem Reforma Agrária não há Democracia”. Em 1990, realizamos o 2º Congresso, quando nos voltamos para a organização interna do movimento, fortalecimento dos setores, organização interna dos assentamentos e acampamentos, a busca da autonomia política e financeira da organização e os debates e a elaboração de uma proposta política e organizativa para o setor de produção. Nossa palavra de ordem era: “Ocupar, resistir e produzir”. A edição seguinte foi em 1995. Continuamos priorizando a política de fortalecimento interno, aperfeiçoando métodos organizativos e formas de lutas. Com outros setores sociais do país, como entidades camponesas da América Latina e de outros continentes, nos articulamos com a idéia de “Reforma Agrária, uma luta de todos”. Em 2000, tivemos o 4º Congresso. Os desafios do contexto histórico nos fizeram com que articulássemos para enfrentar o modelo neoliberal. A palavra de ordem escolhida para o período foi “Reforma Agrária: por um Brasil sem latifúndio”.

FÓRUM- Você comentou que a base do movimento esta discutindo os desafios da reforma agrária. Qual a avaliação do processo que a base está fazendo?

JOSÉ BATISTA– Com a ofensiva do capital internacional, não está em curso nenhum processo de aprofundamento da reforma agrária. É neste contexto que nosso congresso se insere. O princípio que o movimento desenvolveu é de pensar a reforma agrária com uma forma de resolver os problemas sociais. Esta outra forma de ver a agricultura prevê a lógica do lucro e da expansão da terra. É uma ofensiva do capital frente à agricultura. Com a expansão do agronegócio, há uma disputa de espaço começando junto aos assentamentos. Nossa base acampada, cerca de 150 mil famílias, está aguardando o processo de assentamento em condições desumanas. Há uma demanda acumulada para ser assentada. Esses são nossos maiores desafios.


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