Na periferia de SP, média de vida é 23 anos menor do que em área nobre

Mapa da Desigualdade mostra que morador do Jardim Ângela morre em média com 58,3 anos e, no Jardim Paulista, com 81,5 anos

A distância entre o Jardim Ângela, bairro da periferia na zona sul de São Paulo, e o Jardim Paulista, na área mais nobre da capital paulista, é de 23 km. Mas também de 23 anos de vida. Ou seja, perde-se um ano de existência a cada quilômetro percorrido.

O indicador consta no Mapa da Desigualdade 2020, elaborado pela Rede Nossa São Paulo e pelo Programa Cidades Sustentáveis e divulgado nesta quinta-feira (29). A média da idade ao morrer na cidade toda, segundo o levantamento, foi de 68 anos.

Na cidade mais rica do Brasil, o lugar onde a pessoa mora pode determinar quantos anos ela vai viver.

O estudo traz diversos itens referentes à qualidade de vida dos paulistanos nos 96 distritos da cidade, como mobilidade, saúde, educação, trabalho e renda, meio ambiente e direitos humanos. Mas os próprios autores consideram que esse da idade média ao morrer desponta como uma síntese de todos.

No quesito de saúde, por exemplo, o levantamento aponta que 47% das internações no município foram por condições sensíveis à atenção primária. Quer dizer que quase metade das internações poderia ter sido evitada se os pacientes tivessem recebido um tratamento adequado na atenção primária de saúde, como prevenção e exames.

Aqui também a desigualdade é grande. Em Moema, bairro nobre da zona sul, 4,5% das internações foram por condições sensíveis à atenção primária. Já no Jaçanã, zona norte, essa proporção foi de 77%.

Quando se fala de renda, outra diferença gritante. O distrito com o menor valor é fica Lajeado, na periferia da zona leste, onde o rendimento médio das famílias foi calculado em R$ 2.628,63. Na outra ponta, o valor mais alto foi constatado no Alto de Pinheiros, na zona oeste: R$ 9.591,93, ou 264% a mais.

Veja o estudo completo nesse link.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.