“Não vou tomar vacina e ponto final”, diz Bolsonaro sobre dose contra a Covid-19

Sem apresentar dados ou fonte, presidente disse que “tem informações” que mostram Brasil perto da “imunidade de rebanho”; números do Ministério da Saúde revelam que apenas 3,3% dos brasileiros contraíram o novo coronavírus

Em entrevista ao apresentador José Luiz Datena na Band nesta terça-feira (15), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que não vai tomar nenhuma vacina contra o novo coronavírus. Ainda que ela seja aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Não vou tomar a vacina e ponto final. Minha vida está em risco? O problema é meu”, disse o titular do Planalto na entrevista, durante o programa Brasil Urgente.

A posição do presidente, lançando desconfiança contra vacinas, tem estimulado seus apoiadores a desistir de se imunizarem. Pesquisa do Datafolha mostra que 22% dos brasileiros dizem que, como ele, não pretendem se vacinar contra a Covid-19.

Sem apresentar dados, Bolsonaro disse: “Segundo informações que eu tenho quase atingimos a imunidade de rebanho. Ou seja, daqui pra frente é o final da pandemia”. Na fala, o presidente nem ao menos disse qual seria a origem de tais informações.

Até a segunda-feira (14), o Ministério da Saúde contabilizava 6.927.145 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus no país. Isso representa 3,3% da população brasileira, estimada pelo IBGE em 212,44 milhões de pessoas.

A tal “imunidade de rebanho” mencionada por Bolsonaro acontece quando uma parcela da população tem anticorpos desenvolvidos contra uma determinada doença. No Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19 enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última sexta-feira (11), o Ministério da Saúde diz que ao menos 70% da população tem que se imunizar para barrar o vírus.

Ou seja, Bolsonaro lançou mais uma informação sem comprovação, sem fonte, para basear sua tese.

O total de novos casos de Covid-19 cresce há três semanas consecutivas, de acordo com o Ministério da Saúde.  

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Aglomeração

Na entrevista, Datena questionou o presidente se não causava preocupação a aglomeração provocada por sua visita à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), onde foi inaugurar a reforma da torre do relógio. No local havia permissionários e funcionários, todos concentrados, boa parte deles sem máscara. Bolsonaro também não usou o item de segurança em toda a visita.

O titular do Planalto demonstrou irritação. “Vamos botar um ponto final nisso. Eu falei desde o começo, desde março, que nós devíamos tomar um cuidado especial com o idoso e quem tem comorbidade. O resto do pessoal, uma vez pegando vírus, a chance de ele ter algo grave é quase zero”, afirmou ele, ignorando casos já documentados de pessoas jovens que tiveram formas graves da doença.

Bolsonaro também reiterou que confia em medicamentos preventivos contra a Covid-19, como a hidroxicloroquina. “Salvou minha vida”, disse o presidente, que já contraiu o vírus. “E minha mãe de 93 anos tem sempre uma caixa do lado dela.”

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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