“Saiam de Madri, aidéticos”: nazistas marcham na Espanha e governo reage; veja vídeo

Os manifestantes carregaram faixas com símbolos nazistas e mostraram sua rejeição não só ao coletivo LGTBI, mas também às pessoas

Aconteceu neste domingo (19) uma marcha nazista em Chueca, bairro de Madri conhecido por sua sociabilidade e pontos de encontros LGBT. Aos gritos, os manifestantes nazistas gritavam “saiam de Madrid, aidéticos”.

Um grupo de pessoas com ideologia de extrema direita marchou pelas ruas do bairro de Chueca, em Madri, gritando “fora de nossos bairros, viados” ou “fora de Madri, aidéticos”. A marcha foi convocada pela associação de moradores de Madrid Seguro.

Ao tomar conhecimento, o governo espanhol, liderado por Pedro Sánchez (PSOE), anunciou uma série de medidas.

A Ministra da Igualdade, Irene Montero, anunciou que informará o Ministério Público sobre “o ódio lgtbifóbico e racista” à manifestação nazista em Chueca, onde pessoas de ideologia de extrema direita desfilaram neste sábado gritando “tirem os gays dos nossos bairros”.

“Vamos informar o Ministério Público sobre o ódio lgtbifóbico e racista da atual manifestação nazista em Chueca. Além disso, estamos processando urgentemente a Lei Trans e os direitos LGTBI, que é o que nos permite proteger os direitos. Grupos e pessoas LGTBI, vocês não estão sozinhos”, escreveu Montero em sua conta no Twitter.

A esta proposta juntou-se a Ministra dos Direitos Sociais e da Agenda 2030, Ione Belarra, que também num tweet afirmou que “faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para combater o ódio contra o colectivo LGTBI e o racismo. Levaremos estes factos ao Ministério Público Office. E vamos acelerar o processo da lei de direitos LGTBI e Trans”.

De acordo com os vídeos publicados por vários usuários nas redes sociais, os manifestantes carregaram banners com símbolos nazistas e mostraram sua rejeição não só à comunidade LGTBI, mas também a menores desacompanhados ou migrantes.

Esta manifestação provocou a reação de outros políticos. O líder do Más Madrid, Íñigo Errejón, destacou que esses “cérebros” são apenas “a ponta de lança da onda reacionária”.

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“Alguns apontam para os mais vulneráveis, enquanto outros jogam na equidistância. Devemos defender a liberdade”, declarou Errejón.

Líderes do partido Ciudadanos afirmaram que o “episódio do ataque ao grupo LGTBI” no bairro de Chueca é “lamentável” e repudiaram qualquer manifestação de ódio contra as LGBT.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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