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08 de fevereiro de 2012, 19h14

Necessidade de organização resulta em regras e tarefas para integrantes do MST

Brasília – Como em qualquer ambiente coletivo, há também no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) regras e tarefas visando o bom convívio entre seus integrantes. Muitas delas ficam mais evidentes em outros momentos, que não os de marchas, manifestações, ocupações e confrontos.

Depois de um dia de caminhada pelo Eixo Monumental de Brasília, cidade onde estão acampados até o dia 21 para cobrar medidas dos governos Federal e estaduais em favor da reforma agrária, cerca de 3 mil sem-terra voltaram, na sexta-feira, 14, ao estádio Mané Garrincha para retomar as atividades mais rotineiras. A programação da noite era cultural: hip hop, com grupos de Brasília e de São Paulo, e vídeos. Tudo com hora marcada para terminar: 23 horas

“É a hora do silêncio, em respeito àqueles que querem descansar. Até porque amanhã teremos um dia de palestras e de eventos comemorativos dos 25 anos do movimento”, explica Cedemir Oliveira, da Coordenação Nacional do MST. “Todo coletivo precisa de combinações e regras de convivência, uma vez que muitos dos problemas da sociedade acabam, evidentemente, se fazendo presentes também no MST”, acrescenta.

Cedemir explica que os problemas costumam ser discutidos pelo grupo e, em geral, são contornados pela conscientização e por regras definidas pelas coordenações nacional e regionais. A organização, segundo ele, é sempre descentralizada. “Quando as regras não são respeitadas, avaliamos a situação e, se for o caso, definimos normas, que podem variar segundo a cultura e as especificidades locais, a critério das coordenações regionais”, diz.

Foi o que aconteceu no acampamento de José Bento de Souza, que fica entre as cidades goianas de Alto Paraíso e São João da Aliança. Como em todos os acampamentos do MST, há, nele, regras claras contrarias a prostituição, drogas e violência. “Se o sujeito exagera na bebida, costuma ficar fora do acampamento esperando melhorar. Às vezes até entram no acampamento, mas vão direto para a cama”, disse.

José Bento lembra um fato ocorrido com um amigo seu, que havia espancado a esposa. “Essa é uma prática muito mal vista entre os companheiros. Corre até o risco de ir para o corredor do boi gordo [terminologia adotada para indicar expulsão do MST]. A comunidade definiu que se ele quisesse continuar no movimento não poderia repetir a atitude e, para mostrar arrependimento, ele teve de cavar um buraco de três metros e depois preenchê-lo novamente”, lembra.

“Em geral damos preferência por medidas educativas que permitam a reflexão do indivíduo ou por serviços de caráter coletivo”, explica o coordenador nacional Cedemir Oliveira. “Não se trata de uma obrigação, mas uma condição para o caso de ele querer continuar no nosso coletivo”, completa.

Com informações da Agência Brasil.


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