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09 de janeiro de 2013, 13h43

No Centro de Caracas, produtos da revolução bolivariana

O guia de Andrew Jennings para ativistas: nunca diga “Fifa”, nomeie e envergonhe cada um dos bandidos, ensina o jornalista britânico

Texto e fotos por Wagner de Alcântara Aragão, de Caracas, Venezuela

Uma caminhada pelo centro de Caracas reserva ao estrangeiro atrativos comuns aos dos centros de qualquer cidade – o casario histórico que preserva a memória da cidade e do país, as praças que servem de ponto de encontro e onde se encontram os mais diferentes tipos de gente, o vai-e-vem de pessoas, carros e ônibus, as saídas movimentadas das estações de metrô, os estabelecimentos comerciais globalizados.

Mas há elementos na capital venezuelana peculiares, e que são a representação, na paisagem urbana, da revolução bolivariana comandada há 14 anos pelo presidente Hugo Chávez.

Uma delas, os edifícios de moradias populares. Em quais cidades do mundo é possível encontrar em zonas centrais valorizadas prédios erguidos para servir de lar a quem antes só tinha como opção as sub-habitações?

Prédios de moradias populares em Caracas, na Venezuela

Estes da foto foram construídos em imóveis abandonados, que serviam à especulação imobiliária enquanto milhares não tinham casa para morar.

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Outro exemplo, surpreendente, é o conjunto de  cafeteria (Café Venezuela) e chocolataria (Cacao Venezuela) localizado na Praça Simon Bolívar. São dois estabelecimentos públicos, que vendem a preço de custo bebidas feitas a partir da produção de cacau e de café da agricultura familiar, da economia solidária.

Curiosa também é a “Tienda Alba”, rede de lojas de roupas mantida pelo governo e que comercializa peças fabricadas nos países que compõem a Aliança Bolivariana para as Américas. Camisetas, calças jeans, vestidos, bermudas estão entre os itens, vendidos a preços inferiores ao do comércio privado.

Nas “Librerías de Sur” (em um quadrilátero na região central foi possível encontrar duas delas), o governo oferece, a preços menores que os do mercado, livros de literatura e ciências sociais. Já nos Infocentros – também foram avistados dois, e em um deles um cartaz homenageia o educador brasileiro Paulo Freire – têm-se acesso a internet, gratuito, sem burocracia.

Pra terminar, a “Esquina Caliente” – uma tenda sob a qual cidadãos assistem às transmissões da VTV, o canal de televisão oficial, e discutem as ações do governo, falam de política.

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Ah, em tempo: na Venezuela não há censura ou restrição à liberdade de imprensa. Basta ver os periódicos expostos nas bancas de jornais, a estampar, em manchetes garrafais, críticas a Chávez e a seu governo.


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