No Dia Mundial da Saúde, movimentos sociais denunciam descaso dos governos com a pandemia

Na cidade de São Paulo, movimentos sociais denunciaram hospital da zona leste que está fechado e sem indicativo de abertura; paradoxalmente, o prefeito Bruno Covas anuncia abertura diária de 600 valas

Nesta quarta-feira (7) celebra-se o Dia Mundial da Saúde, mas, com a atuação crise sanitária do Brasil, pouco há para se comemorar. Por conta disso, movimentos socais realizam atos ao redor do Brasil para denunciar o descaso do governo Federal, mas também de gestões estaduais e municipais, frente à pandemia.

Ato em defesa do SUS realizado na Av. Paulista/Foto: CMP

Os movimentos também divulgaram uma “Carta à população: a vida é a mãe de todos os direitos”, onde chamam a atenção para o descaso dos governos com a saúde e a pandemia. Além disso, o texto aponta uma série de medidas de combate à pandemia, tais como a aceleração da vacinação, fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), auxílio emergencial e lockdown nacional.

“Se não temos vacinação com maior velocidade; se faltam vagas nos hospitais e medicamentos e materiais para o tratamento da covid; se não temos auxílio emergencial que nos permita ficar em isolamento social; se cresce no Brasil a fome e o desemprego, é porque o compromisso de quem ocupa a Presidência da República não é com a vida, é com a morte”, diz um trecho da carta.

Ação simbólica da CMP e MAB, em frente ao Hospital do Grajaú, Zona Sul de São Paulo/Foto: CMP

Além das atividades presenciais, está marcado para as 18h desta quarta-feira uma live que contará com a participação de Raimundo Bonfim (CMP), Alexandre Padilha (deputado federal e ex-ministro da Saúde), Lourdes Estevão (Sindsep-SP), Pedro Tourinho (médico sanitarista) e Celia Regina Costa (SindSaúde-SP).

“O Dia Mundial da Saúde será um momento de luto pelos milhares de mortos, mas também de luta em defesa da vida, saúde, vacina e comida para o povo”, afirma Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares e um dos organizadores das ações da semana mundial da saúde.

Foto: MTST

Hospital fechado, valas abertas

Na cidade de São Paulo as frentes do Povo Sem Medo e Brasil Popular também realizaram atos. Assim como as demais manifestações, lembrara os trágicos números da pandemia no Brasil, que já soma mais de 300 mil mortos e que nessa terça-feira bateu o triste recorde com mais de 4 mil mortes em 24h.

Foto: MTST

Entre as denúncias feitas no âmbito de São Paulo, uma das mais graves e simbólica se deu em frente ao Hospital Municipal Menino Jesus, em Ermelino Matarazzo, que fica na Zona Leste da cidade de São Paulo. O hospital encontra-se fechado e não há indicativos de que vá ser aberto, mas, a prefeitura anunciou uma operação para abrir 600 novas valas diariamente nos 22 cemitérios da cidade.

Hospital Menino Jesus, na zona leste da cidade de São Paulo, que segue fechado/Foto: MTST

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).