No Reino Unido, escolas têm o triplo de surtos de Covid em relação a hospitais desde outubro, diz jornal

Estabelecimentos foram fechados no último lockdown decretado naquele país; já no Brasil, 15 redes públicas anunciam retomada, sob crítica de especialistas

Dados oficiais das autoridades de saúde do Reino Unido mostram que as escolas de todos os níveis daquele país relataram três vezes mais surtos possíveis de Covid do que os hospitais desde outubro. Os números foram publicados nesta segunda-feira (4) pelo jornal Daily Mail. O governo Boris Johnson decretou novo lockdown no país na segunda-feira, o qual fechou também as escolas.

Os números revelados pelo Daily Mail mostram que 26% dos grupos investigados de Covid – 2.722 entre 10 mil – estavam ligados a instituições de ensino nas 12 semanas finais do ano. Nesse grupo estão incluídas creches, escolas primárias e secundárias e universidades. No mesmo período, apenas 8% — ou 816 — foram identificados em hospitais.

Na última semana do mês passado, as escolas foram fechadas devido ao Natal. E então, segundo os dados, apenas 10% dos surtos identificados no período estavam ligados a instituições de ensino. No entanto, eles podem ter sido registrados somente naquele período porque pode levar uma semana para alguém que está infectado desenvolver sintomas.

No Brasil, volta em 15 redes

No Brasil, a retomada das aulas presenciais é um tema que ainda provoca controvérsias. Ao menos 15 redes públicas anunciaram a reabertura de suas escolas, como informou o blog Sindicato Popular nesta terça-feira (5). A maioria promete a retomada entre os meses de fevereiro e março. Em São Paulo, o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, anunciou o retorno para 1º de fevereiro.

No entanto, especialistas da área médica ainda não estão seguros se esse é um bom momento. O neurocientista Miguel Nicolelis, por exemplo, foi às redes sociais nesta segunda-feira (4) e sentenciou: sem lockdown imediato, o país não dará conta de enterrar seus mortos.

Leia também: Pandemia e retorno às aulas presenciais

No entender de Rivaldo Venâncio, pesquisador da Fiocruz, seria um “contrassenso querer reabrir escolas sem vacinar alunos e professores”. A declaração foi dada na manhã desta terça-feira em entrevista para a rádio Bandeirantes. “Não tenho dúvida que o ideal seria fechar as escolas. Não temos elementos para sugerir a reabertura da rede escolar agora, por maiores que sejam os transtornos do ponto de vista emocional, psicológico e social nas crianças”, afirmou.

Com informações do Daily Mail

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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