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17 de abril de 2013, 12h38

No Roda Viva, Sergio Guerra evidencia diferenças entre PT e PSDB

Conversa com o representante tucano foi didática no que diz respeito ao cenário de disputa eleitoral que se desenha entre os dois partidos

Conversa com o representante tucano foi didática no que diz respeito ao cenário de disputa eleitoral que se desenha entre os dois partidos

Por Marcelo Hailer

Foi ao ar na noite de anteontem, segunda-feira (15), entrevista do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, ao programa “Roda Viva”, exibido pela TV Cultura. A conversa com o representante tucano foi pra lá de didática no que diz respeito ao cenário de disputa eleitoral que se desenha nos diretórios dos principais partidos brasileiros e principalmente ao deixar clara as diferenças programáticas entre o PT e o PSDB, fator que a imprensa hegemônica teima em apagar com a intenção de ajudar os tucanos a voltarem à presidência da República.

No primeiro bloco, foi discutida a candidatura de Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência, que deve ser também o próximo presidente da sigla tucana, e de que maneira a aventada candidatura de Eduardo Campos (PSB-PE) pode ajudar ou atrapalhar Aécio. Sérgio Guerra não titubeou em afirmar que a candidatura do “socialista” em nada atrapalha os tucanos, pelo contrário, ajuda a equilibrar a disputa no nordeste, onde o PT tem forte eleitorado. Portanto, o tucano deixa evidente a principal função da candidatura Campos: retirar votos de Dilma Rousseff (PT) e fazer dobradinha com o candidato tucano.

Posteriormente, Guerra é questionado pelos entrevistadores a respeito da alta popularidade da presidenta Dilma, a qual o representante tucano afirmou que não será transformada em votos, pois, acredita que o povo “está acordando” e que a seca, que neste momento assola o nordeste, vai ser crucial. Guerra também deixou claro dois objetivos do PSDB às próximas eleições: disputar a hegemonia petista no norte e nordeste e manter a hegemonia no estado de São Paulo, o qual ele afirmou estar em “risco” por conta dos muitos anos de poder dos tucanos na seara paulista. Porém, a única coisa que ele não soube responder é qual será o discurso adotado, disse que este ainda vai ser estudado e formulado.

Para além do tabuleiro que está sendo configurado para a disputa à presidência da República, a partir da metade para o fim da entrevista, Sérgio Guerra foi emparedado pelo jornalista da revista IstoÉ, Delmo Moreira, que foi direto ao perguntar: qual é a diferença programática entre PSDB e PT e como os tucanos pretendem apresentar isso ao eleitor? Pois, como bem colocou o jornalista, as críticas que os tucanos fazem, o DEM também o faz, que é apostar nas mazelas e em um liberalismo clássico. Ao que Guerra informou que o “DEM tem as suas propostas e o PSDB também vai construir as suas”. Disse tudo e não disse nada.

E, pasmem, quem dá a voadora mortal em Sérgio Guerra é a colunista da Folha de São Paulo Eliane Cantanhede, que pergunta ao representante tucano se o PSDB não “estaria andando pra trás” ao não renovar as sua lideranças e cita a cidade de São Paulo como exemplo, quando os tucanos optaram por Serra candidato e perderam para Fernando Haddad, que era taxado como mais um “poste” de Lula. Guerra, é claro, minimizou as críticas e afirmou que o PT também não está se renovando, que a capital paulista é um caso particular e voltou a afirmar que a “hegemonia” tucana em São Paulo está em “risco”.

O presidente nacional do PSDB demonstrava séria dificuldade em apresentar o pensamento político de seu partido, mas, na metade da entrevista, os jornalistas da bancada do “Roda Viva”, já sem paciência, iniciaram um bombardeio de perguntas sobre temas muitos específicos, tais como: redução da maioridade penal, ao qual o representante do PSDB disse ser favorável e ainda completou que o seu partido atua no sentido de fortalecimento da política de cárcere, no caso, construindo novos presídios; voltou a falar sobre o virtual candidato à presidência da República Eduardo Campos e o classificou como “amigo”; e a cereja do bolo veio com a questão sobre o líder da bancada evangélica no Congresso Nacional, o deputado João Campos (PSDB-GO), que, entre outras coisas, é autor do projeto de lei que defende o direito aos psicólogos a praticarem a “conversão” de orientação sexual, sendo mais claro, a “cura gay”. Para Sérgio Guerra, João Campos “é um ótimo parlamentar”.

A entrevista foi didática no sentido de deixar claro, mesmo que ele tenha afirmado que ainda está sendo construído, o discurso a ser adotado pelo partido para fazer frente à candidatura de Dilma Rousseff. O programa a ser elaborado, se seguir a tônica apresentada no Roda Viva, é um PSDB mais à direita do que nunca e com a falácia de que irão manter os programas sociais efetivados até aqui. Não podemos ainda subestimar as candidaturas de Campos (PSB) e de Marina Silva (se ela conseguir todas as assinaturas pra fundar a sua Rede), porém, este trio, ao que tudo indica, vai formar um grande bloco de oposição a Dilma Rousseff e é óbvio que não se pode ignorar o potencial de votos de todos eles juntos…

Por fim, ainda resta mais de um ano para se definir o quadro eleitoral de 2014, mas a cada dia que passa as diferenças programáticas ficam cada vez mais evidentes e o que se nota até aqui é que, apesar de todos falarem em “mudança”, ainda não se escutou uma proposta de mudança efetiva, a tecla batida é a mesma em todos: manter os programas sociais e mudar… Mas mudar o quê? Muito provavelmente os candidatos acabem por se diferenciar em temas como casamento igualitário, política de cárcere, drogas, abortos, ou seja, o que tem acontecido desde a eleição desde 2010 e que no ano passado foi tema decisivo para a eleição de Fernando Haddad à prefeitura da cidade de São Paulo.

A conferir…

Marcelo Hailer é jornalista e mestrando em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP


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