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17 de maio de 2013, 18h07

Nobel da Paz argentino diz que Videla traiu Argentina; veja reações

Políticos, ativistas de direitos humanos e artistas criticam trajetória de ex-ditador

Políticos, ativistas de direitos humanos e artistas criticam trajetória de ex-ditador

Do Opera Mundi 

O ativista argentino pelos direitos Humanos e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Aldolfo Pérez Esquível (Foto: Adolfoperezesquível.org)

A morte do ex-ditador argentino argentino Jorge Rafael Videla, ocorrida nesta manhã (17/05), em Buenos Aires, gerou uma rápida reação de políticos e ativistas argentinos nos meios de comunicação e em redes sociais, todos críticos ao passado e à postura do líder da junta militar que comandou violentamente o país entre 1976 a 1983.

O Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquível classificou Videla, que morreu aos 87 anos de “causas naturais”, como “um homem que passou a vida fazendo muito mal e traindo os valores de todo um país”. No entanto, o ativista de Direitos Humanos, que ficou 28 meses preso durante o regime, diz que “não se alegra com a morte de ninguém”.

“Jamais me acusaram ou julgaram por nada, sou um sobrevivente dos voos morte. Mas a morte de Videla não deve alegrar a ninguém, temos de seguir trabalhando por uma sociedade melhor, mais justa, mais humana, para que todo esse horror não volte a se repetir nunca mais”.

“Isso (a morte de Videla) não fecha um ciclo. (A ditadura) vai além de Videla, é uma política que se implementou em todo o país e na América Latina”.

Nora Cortiñas, integrante e fundadora das Mães da Praça de Maio, seguiu a mesma linha ao preferir não festejar a morte do ditador. “Mesmo com minha dor, não festejo a morte. Porque eles (os ditadores) se vão e levam junto consigo alguns dos segredos mais importantes da história”.

A associação de direitos humanos H.I.J.O.S., (acrônimo em espanhol para Filho pela Identidade e Justiça contra o Esquecimento e o Silêncio) da capital, Buenos Aires, postou em sua conta no Twitter: “Morreu sem dizer onde eles (os desaparecidos) estão”. Fundada em 1994, essa organização, dividida em diversas filiais pela Argentina, reúne, filhos de desaparecidos e assassinados, e outros que se consideram “filhos da geração ditatorial”. Entre outras ações, investigam casos de bebês sequestrados, e organizaram “escrachos” com ex-participantes do regimes. A H.I.J.O.S. de Tucumán, por sua vez, postou: “nem esquecimento nem perdão. Morreu o genocida Videla”.

Políticos

O líder da oposicionista UCR (União Cívica Radical) na Câmara dos Deputados, Ricardo Gíl Lavedra, que também foi integrante de um tribunal que condenou a última junta militar, afirmou que Videla será “lembrado como um ditador que semeou a morte na Argentina e produziu a ditadura mais sangrenta e terrível” na história do país. Em entrevista à rede de TV Todo Notícias, ele lembrou que o ditador, assim como outros integrantes do regime “lamentavelmente nunca mostrou arrependimento sobre os fatos, tampouco considerou uma reparação às vítimas”.

O porta-voz do partido de esquerda FAP (Frente Ampla Progressista), Hermes Binner, postou, em sua conta no microblog Twitter, ao saber da morte do ex-ditador: “Morreu Videla: choremos as 30.000 vítimas de sua ditadura”.

O ministro de Cultura de Buenos Aires, Hernán Lombardi, recordou Videla como um “tirano sangrento” o qual “a democracia argentina teve o valor de julgar e condenar”.

O secretário nacional de Direitos Humanos, Martín Fresneda, defendeu que “o Estado não deve nunca celebrar a morte de ninguém”, mas sim “comemorar o fato de que foi feita justiça”. “Pudemos reparar a maioria dos crimes que esses homens cometeram” com os julgamentos realizados.

Sociedade

Em declarações ao canal C5N, o músico e compositor Víctor Heredia disse que “morreu um criminoso”: “Foi uma monstruosidade o que ele fez em vida”, disse o artista, cuja irmã foi sequestradas e dada como desaparecida quando estava grávida. Ele também foi perseguido pelo regime, período o qual afirmou que ficará marcado para o resto de sua vida.


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