Pandemia: com nova variante, Reino Unido restringe viagens à África do Sul

Batizada de B.1.1.529, a cepa tem como característica principal a alta transmissibilidade e deixou a pergunta no ar para os cientistas: as vacinas existentes podem detê-la?

Com a descoberta de uma nova variante, batizada de B.1.1.529, o governo do Reino Unido colocou a África do Sul e outros cinco países na “lista vermelha” de restrições de viagem. A medida passa a valer a partir desta sexta-feira (26).

Dessa maneira, viagens turísticas e comerciais para África do Sul, Namíbia, Lesoto, Botsuana, Eswatini e Zimbábue ficam proibidas.

Além disso, viajantes britânicos ou com residência no Reino Unido que estejam retornando dos locais afetados pela nova variante terão de fazer quarentena, independente do status vacinal.

O que se sabe sobre a nova variante

Uma nova variante do Sars-Cov-2, o coronavírus responsável pela Covid-19, identificada na África do Sul e batizada como B.1.1.529, é a mais recente preocupação de virologistas e outros cientistas de todo o mundo. O motivo do alerta é o fato de a cepa ter 32 mutações em sua proteína spike, justamente a parte do patógeno sobre a qual são trabalhadas as vacinas, que impedem a entrada do vírus nas células e sua multiplicação.

O virologista brasileiro Túlio de Oliveira, que é diretor do laboratório Krisp, da Escola de Medicina Nelson Mandela, vinculada à Universidade Kwa-Zulu-Natal, que fica em Durban, na África do Sul, afirmou que a variante B.1.1.529 teria, potencialmente, uma transmissibilidade muito maior que cepas anteriores e que, pelo fato de ter tantas mutações em sua proteína spike, não se sabe se as vacinas atuais contra o Sars-Cov-2 seriam capazes de detê-la.

Joe Phaahla, ministro da Saúde da África do Sul, admitiu recentemente que a aparição dessa variante é vista como uma “grande ameaça” e que ela levaria a novas restrições sérias no país caso se espalhe com rapidez. Até agora, o número oficial de casos diagnosticado com a B.1.1.529 é 22, sendo a maior parte na África do Sul, embora a variante tenha sido encontrada também num paciente de Botswana e em Hong Kong (em um homem que acabara de chegar da África do Sul).

Autoridades médicas, científicas e sanitárias sul-africanas ficaram tão alarmadas com a B.1.1.529 que solicitaram a formação de um grupo de trabalhos com os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para tratar do assunto. Ainda que o clima seja de preocupação, não existe uma resposta objetiva e clara se essa nova mutação seria combatida com as vacinas atualmente existentes no mercado.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).